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terça-feira, 22 de novembro de 2011

Cidade Perdida


Autor: Clive Cussler

Edição/reimpressão: 2010

Páginas: 544

Editor: 11 X 17 (Livro de Bolso)

ISBN: 9789896372651


Quem nunca terá sonhado com a descoberta da Pedra Filosofal – para os antigos, a Fonte da Juventude?
Pois bem, este livro de Clive Cussler, que se lê de um fôlego, leva-nos a acompanhar a procura de algo tão precioso para alguns, ao ponto de utilizarem todos os meios para atingirem os seus fins. Trata-se aqui de uma busca baseada em processos contemporâneos, com a genética a desempenhar um papel preponderante, a par da química e das ciências ligadas ao mar e mais especificamente aos glaciares.
A ação inicia-se na primeira metade do século XX, com a Primeira Guerra Mundial a fazer-se anunciar, e desenrola-se na atualidade, em França e nas Ilhas Orkney, situadas no Mar do Norte e pertencentes à Escócia, assim como em pleno Oceano Atlântico. Os protagonistas são Kurt Austin, um dos agentes da equipa de operações especiais da NUMA, e Skye Labelle, uma perita em antiguidades, que o acompanha nestas aventuras.
Este thriller é narrado a um ritmo frenético, em que os acontecimentos se sucedem, quase sem que tenhamos tempo para respirar! Por este motivo, a partir do momento em que pega no livro, o leitor terá muita dificuldade em conseguir voltar a pousá-lo…
Vale a pena ler, para descontrair, e também para acompanhar algumas das coisas de que a ciência atual é capaz… quando controlada por um desejo insano de poder.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

A Rainha das neves


Autora: Carmen Martín Gaite

Edição/reimpressão: 1995

Páginas: 329

Editor: Difel

ISBN: 9722903292



Eis um livro que necessita de uma leitura bastante atenta, por vários motivos. Desde logo, porque a autora opta por nem sempre assinalar quando alterna ação com corrente de pensamento. Por vezes, damos por nós a seguir o fio de um pensamento, assim pensamos, para de repente compreendermos que afinal o que acabamos de ler é a simples descrição de um passeio pela cidade ou o início de uma história.
Por outro lado, esta obra é construída com recurso ao conto de Hans Christian Andersen, com o mesmo nome. Caso o leitor conheça a história de Andersen, ser-lhe-á mais fácil acompanhar a narrativa de Gaite. No entanto, caso tal não aconteça, não será um fator impeditivo da plena apreensão das mensagens que a autora nos pode transmitir.
Passada em Madrid, nos finais do século XX, a ação desenrola-se à volta de Leonardo, o produto típico de uma geração nascida em plena democracia, a quem quase tudo foi proporcionado, mas que se sente sem raízes, enclausurado num presente sem futuro.
O protagonista, criado no seio de uma família que parece não o entender, tenta escapar a um estilo de vida com o qual não se identifica, fugindo de tudo e de todos, inclusive de si próprio, até que um acontecimento repentino o faz ter consciência de que a solução para os seus males se encontra na sua infância. Aí residem as recordações do amor que recebeu na Quinta Branca, das histórias contadas pela avó, dos momentos em que o “cristalzinho de gelo” não se tinha ainda instalado no seu coração.
Ao confrontar-se com o seu passado, ao tentar deslindar a teia que emaranhou a vida dos seus progenitores, ameaçando mesmo asfixiá-lo, vai encontrar a redenção, que provém de quem menos espera…

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Valsa Negra


Autora: Ana María Moix

Edição/reimpressão: 2002

Páginas: 168

Editor: D. Quixote

ISBN: 9722024051



Quem nunca ouviu falar da Imperatriz Austríaca Elizabeth (mais comummente conhecida como Sissi), casada com o Imperador Francisco José, tem neste livro uma boa oportunidade para se inteirar de alguns aspetos menos conhecidos da vida da soberana e da realidade socioeconómica do Império Austro-húngaro, na segunda metade do século XIX.

A autora brinda os seus leitores com uma narração ficcionada de alguns dos factos ocorridos ao longo da vida da Imperatriz, abrilhantando essa narração com uma ironia, um humor e um certo sarcasmo que transformam a leitura do livro num verdadeiro deleite.

Contudo, Ana María Moix não deixa de demonstrar que a vida de Elizabeth da Baviera foi tudo menos o romance cor-de-rosa que certas séries de televisão quiseram fazer crer. De facto, a Rainha da Hungria é-nos apresentada como uma mulher bem-amada, mas que se sentia, de certo modo, incapaz de corresponder ao amor e devoção que lhe eram dispensados por muitos dos que a rodeavam; uma monarca que se viu impossibilitada de ajudar o seu povo a alcançar melhores condições de vida, num império governado com mão de ferro, sem olhar ao bem-estar da maioria dos seus cidadãos; alguém que teve que conquistar o seu lugar na corte Austríaca, enfrentando a própria mãe do Imperador, na tentativa de viver uma vida menos ligada ao seu papel de representante do Império e mais ao de mãe, algo em que nem sempre foi bem sucedida.

Um livro que vale essencialmente pela apresentação de uma figura histórica, e do período em que viveu, sem contemplações; mostrando as suas melhores e piores facetas, sem tomar partidos. Cabe ao leitor decidir de que lado está…

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Planalto de Gostofrio


Autor: Bento da Cruz

Edição/reimpressão: 2003

Páginas: 222

Editor: Círculo de Leitores

ISBN: 972422416



Não tendo lido qualquer outra obra do autor, foi com alguma expectativa que comecei este livro. Quem estiver à procura de um romance, talvez se sinta um pouco defraudado, pelo menos inicialmente. No entanto, à medida que se embrenhar na leitura, verá que a obra tem muitos pontos de interesse.

Sendo o local onde se passa a ação as terras de Barroso, é com gosto que entramos na vida das personagens principais – Toninho, o menino aprendiz de pastor, pequeno descobridor das muitas maravilhas naturais da região, enamorado de Carolina, a priminha Irlandesa que o acompanha nas mil e um tropelias, incentivando-o sempre a ir mais longe; o pai, Manuel Marinheiro, e a mãe, Maria, que “fazem das tripas coração” para criar a sua prole e procurar o sustento da mesma num clima tão agreste e impiedoso, mas onde as gentes são tão simples, tão amigas e tão fortes…

É em plena era Salazarista que a ação se desenrola; a era do contrabando, da fuga à polícia por delitos menores, e por outros bem maiores; da procura de melhor vida em terras Americanas, com os seus sucessos e insucessos… A linguagem acompanha todos estes sabores e dissabores; a ruralidade destas gentes; a beleza destas paragens; o transpor do limiar da inocência; o tornar-se Homem / Mulher numa época em que aprender a ler era uma conquista só de alguns…

Depois da leitura deste livro, apetece visitar estas paragens!

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

O Preço do Sal


Autora: Patricia Highsmith

Edição/reimpressão: 1993

Páginas: 272

Editor: Publicações Europa-América

ISBN: 9721032360



Para quem se acostumou a ler apenas os policiais desta escritora, cá está uma obra que irá certamente surpreender. Será interessante mencionar que o livro foi publicado pela primeira vez em 1952, sob o pseudónimo de Claire Morgan, tendo sido rejeitado pelo editor habitual da autora.

Causou, desde logo, algum furor nos Estados Unidos, não tanto por apresentar uma relação de amor entre duas mulheres, mas por terminar de um modo muito diferente do que era hábito até à data. O amor entre Therese e Carol é descrito de uma forma sensível, sem excessos, sem sordidez. Faz parte do romance uma certa dose de sensualidade, mas sem incursões pelo erotismo.

Patricia Highsmith retrata de uma forma muito crítica a sociedade americana da primeira metade do século XX, a mentalidade tacanha de algumas classes sociais, a hipocrisia da sociedade, a exploração do trabalho feminino nos grandes armazéns, o egocentrismo dos membros do jet-set da época. Mas também nos descreve o oeste americano, a vastidão do celeiro da América, as montanhas quase despovoadas. Do mesmo modo, transmite-nos a força daquelas que resolveram lutar pelos seus sentimentos, sacrificando partes consideráveis das suas vidas, sendo aberta ou sub-repticiamente criticadas e, em muitos casos, simplesmente ostracizadas, por não se limitarem a ser esposas e mães… por quererem ser, acima de tudo, mulheres.

Para ser lido de mente aberta, sem preconceitos e com uma grande dose de sensibilidade.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Iluminada


Autora: Patrizia Carrano

Edição/reimpressão: 2003

Páginas: 222

Editor: Círculo de Leitores

ISBN: 972422416



Patrizia Carrano apresenta-nos uma obra muito interessante sobre a primeira mulher doutorada do mundo, Helena Lucrécia Cornaro, natural da cidade de Veneza.

Este acontecimento tão relevante ocorreu em Pádua, a 25 de Junho de 1678, e teve repercussões por todo o mundo, tendo sido aclamado e felicitado por estudiosos da época, provenientes dos mais diversos locais.

Helena Cornaro é-nos apresentada como alguém dedicado à aprendizagem, desde tenra idade. Essa aptidão foi desenvolvida com a ajuda da sua família, tendo o pai desempenhado um papel muito relevante na educação da jovem, não só por lhe proporcionar os meios para a desenvolver (numa época em que poucas eram as mulheres a quem era dada permissão para dedicar a sua vida aos estudos), mas especialmente por a incentivar e por envidar todos os seus esforços para que o mundo académico a reconhecesse como alguém de imensas capacidades e valor.

O livro, que a própria autora reconhece não ser uma biografia, descreve, no entanto, pessoas e acontecimentos reais, conjugando-os com personagens ficcionais e acontecimentos inventados. Este processo dá uma grande liberdade de movimentos à autora, permitindo-lhe explorar aspetos sociais, económicos e políticos do século XVII; a relação do ocidente com o oriente, nomeadamente no que se refere às diferentes formas de olhar para a ciência, a medicina… A leitura é agradável e a narrativa está bem construída.

Vale a pena ler, especialmente por quem gosta de saber sempre mais.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Expiação


Autor: Ian McEwan

Edição/reimpressão: 2007

Páginas: 420

Editor: Gradiva

ISBN: 9789726628224


Com este romance, o conceituado escritor Britânico Ian McEwan recebeu os prémios US National Book Critics Circle 2002 e WH Smith 2002 para o melhor livro de ficção.

A ação tem início no Verão de 1935, em Inglaterra. Briony Tallis, uma adolescente com uma imaginação prodigiosa, espera ansiosamente o regresso a casa do seu irmão Leon. Na casa da família Tallis encontram-se também Cecilia, a filha mais velha dos Tallis; Paul Marshall, amigo de Leon; Robbie, o filho de uma criada, recém-chegado de Cambridge onde esteve a estudar a expensas do senhor da casa. Esse Verão ficará gravado na memória de Briony, Cecilia e Robbie, pelos piores motivos, fazendo com que as suas vidas fiquem para sempre interligadas.

A imaginação de Briony revela-se de grande importância para o desenrolar da narrativa, a partir do momento em que esta vivencia determinados acontecimentos, à luz de algo de que é testemunha no jardim dos Tallis, influenciando desse modo as vidas de todos os que a rodeiam, e a sua própria vida.

Partindo desse Verão, acompanhamos as personagens no período imediatamente anterior à Segunda Guerra Mundial, bem como ao longo de todo o conflito, e para além dele.

Eis um romance sobre a adolescência, sobre a guerra, sobre os medos e a necessidade de os ultrapassar, sobre as relações entre classes na Inglaterra da primeira metade do século XX, sobre a culpa e a necessidade de expiar essa mesma culpa e de ser absolvido.

Para ler sem pressas e com muita concentração, mesmo porque o final consegue ser bastante surpreendente…

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

A Caverna

Autor: José Saramago

Edição/reimpressão: 2000

Páginas: 352

Editor: Editorial Caminho

ISBN: 9789722113663

Coleção: Obras de José Saramago



Neste livro tudo gira à volta de uma olaria tradicional, que se esforça por sobreviver, quando o seu mercado se reduz a um grande centro comercial, que progressivamente se descarta dos seus produtos. O oleiro Cipriano Algor e a sua filha Marta tentam remar contra a maré e sobreviver às investidas do Centro, que os alicia com todas as suas maravilhas, enquanto tenta retirar-lhes tudo aquilo com que sempre conviveram. Será que conseguem resistir à força do progresso?

Os livros de José Saramago são, por vezes, considerados de difícil leitura. Pois, esta obra deixa-se ler com relativa facilidade, talvez porque trata de aspectos muito presentes no mundo de hoje: a lenta morte do comércio tradicional que não se consegue adaptar à proliferação de grandes superfícies; a incapacidade do indivíduo reagir à pressão de grupos fortes, que fazem com que o caminho para o desemprego seja também o caminho para a perda gradual de liberdade e de sentido para a vida.

Mas a narrativa não se esgota nestes temas. Lida também com a capacidade que qualquer pessoa tem de se manter útil, à medida que vai envelhecendo; com a energia que faz com que, nos piores momentos, os indivíduos superem as suas dificuldades; com o desejo que temos de nos sentirmos acompanhados e “vivos”, nas diversas etapas das nossas vidas.

Compete a cada leitor, à medida que vai lendo esta obra, descobrir a tal caverna que lhe dá título…

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Rosa Brava


Autor: José Manuel Saraiva

Edição/reimpressão: 2005

Páginas: 448

Editor: Oficina do Livro

ISBN: 9895551134


Este romance vem demonstrar que é possível ler bons romances históricos, quando o pano de fundo é a História de Portugal.

O livro faz-nos retroceder até ao século XIV, ao reinado de D. Fernando, às guerras travadas pelo monarca, às relações com os reinos de Castela e Aragão, às intrigas na corte, à forma como se (sobre)vivia em Portugal naquela época.

Acompanhamos figuras históricas como Diogo Lopes Pacheco, um dos assassinos de Inês de Castro, D. João Mestre de Aviz e Nun’ Álvares Pereira, o Condestável. Mas a personagem central da história é, sem qualquer dúvida, D. Leonor Teles de Menezes, famosa pelo seu encanto e pela sua beleza, bem como pela sua ambição.

O leitor apercebe-se, à medida que vai lendo o livro, que foi feita uma rigorosa pesquisa do contexto socioeconómico, das tradições, dos costumes e leis vigentes naquela época. É interessante ver o papel de cada classe social, numa sociedade claramente estratificada, assim como o desregramento perceptível em todas as classes, até no clero. Perpassa por todo o romance um humor muito particular, fazendo lembrar que rindo se criticam os costumes. Várias personagens são claramente tipificadas, mostrando-nos os vícios das classes a que pertencem – é o caso do senhor do Morgado de Pombeiro, assim como o de D. Martinho, Bispo de Lisboa, para dar apenas dois exemplos.

Uma leitura muito agradável e interessante, que nos permite ficar a saber um pouco mais sobre a Época Fernandina.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Possessão


Autora: A. S. Byatt

Edição/reimpressão: 2010

Páginas: 532

Editor: Sextante Editora


ISBN: 9789898093448



Este é um livro muito interessante e magistralmente escrito, pelo qual A. S. Byatt recebeu o prestigiado Booker Prize.

A ação reparte-se por dois momentos distintos: a época Vitoriana e a atualidade. Dois jovens estudiosos de literatura inglesa encontram, por acaso, cartas trocadas entre dois poetas Vitorianos e decidem descobrir em que contexto as mesmas foram escritas e qual a relação que ligava os ditos poetas.

Enquanto pesquisam a vida e a obra de Randolph Henry Ash e de Christabel LaMotte (dois poetas Vitorianos fictícios), Roland Michell e Maud Bailey viajam por Inglaterra e por França e o leitor acompanha não só as suas deambulações, mas também as viagens que fazem ao interior de si mesmos, na procura de um sentido para as suas vidas.

A autora brinda o leitor com incursões por diversos géneros/sub-géneros literários, desde a carta até ao diário, passando pela poesia e pelo romance, em que esta obra indubitavelmente se inscreve.

Se nem sempre a ação é fácil de acompanhar, tal fica a dever-se à extraordinária riqueza de que este livro é composto. São várias as vozes que se fazem ouvir, assim como os estilos com que se exprimem. Ao mesmo tempo, perpassam por todo o romance ecos muito fortes das relações que se estabelecem entre os académicos das grandes universidades inglesas e americanas, da competição que existe entre os mesmos e da relevância que qualquer nova descoberta relacionada com grandes autores do passado pode adquirir nestes meios.

Onde se revela a “possessão” em todas estas relações, cabe ao leitor descobrir, uma vez que as leituras são múltiplas e muito ricas… A não perder!

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

A Paixão

                                   
Autor: Almeida Faria

Edição/reimpressão: 1981

Páginas: 180

Editor: Círculo de Leitores

A leitura deste livro começou como um desafio que me foi proposto por Álvaro de Sousa Holstein, a quem agradeço o empréstimo.

O leitor depara-se com uma obra dividida em três partes, cada uma correspondente a uma parte de um dia de sexta feira Santa, num mês de Março de um ano indeterminado, que podemos situar algures na década de 1960/1970, em pleno Estado Novo, antes da Revolução dos Cravos. O Alentejo é o local escolhido para o desenrolar da ação, com as suas lezírias, as suas aldeias brancas, os seus castelos e as suas as famílias antigas, donas de uma opulência que já conheceu melhores dias, seios onde vão germinar algumas das sementes que ajudarão a libertar o país dum regime totalitário e anquilosado.

É através das vivências que as diversas personagens vão rememorando que o leitor se apercebe da ligação que une todas elas, assim como da história mais vasta que os indivíduos anónimos foram / vão escrevendo para maior ou menor glória deste país. E essas vivências contadas por pessoas banais, são, na sua maioria, também elas simples e rudimentares, até na forma como são expressas. A linguagem é fabricada de modo a acompanhar essa simplicidade, trazendo-nos o mundo rural, as rotinas do dia a dia, uma certa religiosidade crédula, em contraponto às ideias que estão em ebulição em alguns núcleos do mundo académico do Portugal de então.

Não se trata de uma obra de leitura simples, uma vez que seguir o percurso do pensamento de alguém é sempre um exercício difícil; por outro lado, o uso constante da adjectivação não substitui o diálogo, que daria uma maior leveza à história. Na minha opinião, a forma como o autor ata as pontas, no final, fica aquém do esperado. Talvez seja propositado… Afinal os nossos próprios pensamentos nem sempre são coerentes…

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

O Triunfo de César


Autor: Steven Saylor

Edição/reimpressão: 2008

Páginas: 272

Editor: Bertrand Editora

ISBN: 9789722517256


A série Roma Sub-Rosa transporta-nos até à Roma Antiga, a dos grandes Cônsules e Ditadores, a dos grandes Generais e Estrategas. A série inicia-se com Sangue Romano, em que nos é apresentado Gordiano, o Descobridor. Este será a personagem principal de todos os romances históricos desta série. É ele que tem a seu cargo o desvendar dos mistérios que vão surgindo, seja a mando do famoso filósofo e orador Cícero, que surge no primeiro romance, do grande general Pompeu, como em Crime na Via Ápia, ou mesmo de Calpúrnia, esposa de César, que teme pela vida deste em O Triunfo de César.

À medida que se embrenha na leitura destes romances, o leitor é levado numa verdadeira lição de história sobre o Império Romano e sobre os povos que se cruzaram no seu caminho: as suas tradições, a sua religião, a sua cultura, as suas campanhas militares, as suas conquistas… Tudo aquilo que contribuiu para que os ecos e testemunhos da Civilização Romana conseguissem chegar até aos nossos dias.

Steven Saylor constrói narrativas muito interessantes, cheias de ação e suspense, fazendo-nos acompanhar a vida de Gordiano e da sua família - da sua esposa, Betesda; do seu filho adoptivo, Eco; do seu fiel escravo, Belbo… - ao mesmo tempo que revemos partes das vidas de grandes personalidade romanas.

A série Roma Sub-Rosa aguarda todos aqueles que se interessam por este período histórico tão marcante, e que não dispensam um bom livro de crime e mistério…

sábado, 13 de agosto de 2011

O Cirurgião




Autora: Tess Gerritsen
Edição/reimpressão: 2011
Páginas: 496
Editor: 11X17 (Livro de Bolso)
ISBN: 9789722523004

Para variar, e porque se trata de um género que normalmente aprecio, optei desta vez por um policial. Foi o primeiro livro que li da autora e fiquei agradavelmente surpreendida.
A acção decorre nos Estados Unidos, na cidade de Bóston e em cidades vizinhas, e acompanhamos uma investigação policial tipicamente Americana, tal como as vemos nas séries televisivas e nos filmes, indo até ao pormenor do café e dos donuts frescos para alegrar a Brigada de Homicídios…
O livro tem como personagens principais dois polícias (Jane Rizzoli e Thomas Moore) e uma médica (Catherine Cordell), unidos numa relação invulgar com o Cirurgião, um assassino com uma estranha paixão pela medicina.  
A trama está muito bem urdida e não apresenta incoerências. O facto de a autora ter sido, ela própria, médica ajuda-a nas descrições de situações de emergência médica, de intervenções cirúrgicas de diversos tipos, etc. A par disto, também temos acesso a algumas análises forenses e psicológicas, nomeadamente do perfil psicológico do assassino, mas sem que tal se torne maçador.        
O livro faz ainda referência a alguns aspectos da história e mitologia Grega e Asteca, como forma de nos indicar aquilo que o assassino está a pensar e quais as suas motivações mais íntimas.
Enfim, estamos perante um livro capaz de nos transmitir aquela sensação arrepiante que nos faz olhar por cima do ombro, quando passeamos pelo jardim à noite…   

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

A Marca do Assassino



Autor: Daniel Silva

Edição/reimpressão: 2011
Páginas: 512
Editor: 11 X 17 (Livro de Bolso)
ISBN: 9789722523219













Este autor, descendente de Portugueses, é considerado por alguns jornais Norte-Americanos um dos melhores jovens escritores de literatura de espionagem da actualidade. A leitura deste seu livro faz-nos perceber o porquê desta classificação.
A acção desenrola-se principalmente nos Estados Unidos e na Europa. O leitor começa por acompanhar um ataque terrorista contra um avião comercial, tudo levando a crer que uma organização radical Palestiniana, desagradada com o evoluir positivo do processo de paz entre a Palestina e Israel, se encontra por detrás do atentado. Contudo, à medida que a trama se vai desenrolando, vamo-nos apercebendo que a realidade tem contornos muito mais estranhos e que, por vezes, os inimigos se encontram onde menos se espera…
Para que possamos acompanhar melhor o desenrolar da acção, o autor faz-nos entrar nos meandros dos serviços secretos e de segurança Europeus, Americanos, Israelitas… Assim, ficamos a saber algo mais sobre o KGB, o M15 e o M16, a CIA, a Mossad. O personagem principal é o agente da CIA Michael Osbourne, que vai tentar desfiar uma meada que o conduzirá até um assassino muito perigoso, que deixa uma marca especial sempre que mata.
O livro mostra também a forte pressão que determinados lobbies exercem sobre a política internacional, o enorme poder que os órgãos de comunicação social têm sobre os governos ocidentais, a teia obscura que une o poder político e os grandes capitais…
Vai, por tudo isto, de encontro a algumas das preocupações centrais presentes nas sociedades ocidentais, nos nossos dias.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Paixões Secretas

Autora: Anna Godbersen

Edição/reimpressão: 2011

Páginas: 280

Editor: Editorial Presença

ISBN: 9789722345781

Coleção: Princesas de Nova Iorque

Faixa etária: a partir dos 12 anos


Este é o terceiro volume da série Princesas de Nova Iorque, seguindo-se a Rebeldes e a Rumores, obras já publicadas pela Editorial Presença.
A autora conduz-nos, uma vez mais, até à alta sociedade Nova-Iorquina dos finais do século XIX e constrói um verdadeiro fresco dessa mesma sociedade: dos costumes, da forma de estar, do glamour associado às noites passadas a jantar e a dançar em círculos muito restritos e acessíveis quase exclusivamente a membros de famílias ricas e poderosas.
Enquanto acompanhamos as irmãs Holland, Penelope e Henry Schoonmaker ou Carolina Broad, a escritora dá-nos a conhecer as pérfidas intrigas que moldam as vidas dos protagonistas da história, faz-nos sentir a futilidade de uma existência com muito pouco de produtivo, mas mostra-nos também que há sempre quem esteja disposto a ajudar a construir e a defender o seu país.
Pelo meio, ficam algumas reflexões sobre a estratificação da sociedade Nova-Iorquina da época, bem como sobre as dificuldades sentidas pelos elementos mais desprotegidos dessa mesma sociedade.
As descrições são muito vívidas e a narrativa desenrola-se com fluidez, o que garante uma leitura agradável e cria no leitor a ilusão de estar a observar de bem perto este mundo de princesas, nem sempre de conto de fadas…
Uma leitura descomprometedora para este Verão!

sábado, 6 de agosto de 2011

À Procura de Sana


Autor: Richard Zimler

Edição/reimpressão: 2006

Páginas: 280

Editor: Gótica

Colecção: Cavalo de Tróia

ISBN: 9789727921614




Trata-se de um livro bastante interessante, especialmente para quem já leu O Último Cabalista de Lisboa, pelo mesmo autor. Isto porque, ao longo de toda a obra, se faz frequentemente referência àquela outra, de modo que o leitor é praticamente levado a revisitá-la.
Zimler é aqui um dos principais protagonistas, na medida em que é ele quem procura descobrir Sana, a sua vida, os seus desejos, os seus objectivos.
O leitor acompanha o autor nesta busca, acabando por dar por si a revisitar feridas abertas pelos campos de concentração Nazis, a assistir à criação do estado de Israel, a observar uma coexistência relativamente pacífica ente judeus e árabes, antes do eclodir da animosidade entre Israelitas e Palestinianos, que trará consequências gravosas para os diversos intervenientes na história.
Na minha opinião, o que mais surpreende o leitor é a oscilação entre realidade e ficção, que nos mantém em constante sobressalto, tentando “adivinhar” se aquilo que nos é contado aconteceu mesmo ou é pura invenção do autor. É um pouco como se estivéssemos a ver como as coisas podiam ter acontecido, se…
Enfim, vale a pena parar e pensar no que este livro tem para nos dizer!

sexta-feira, 29 de julho de 2011

O Segredo da Cruz de Cristo



Autor: Bill Napier

Edição/reimpressão: 2010

Páginas: 432

Editor: 11X17 (Livro de Bolso)

ISBN: 9789896372538



Cá está um bom livro para acompanhar o leitor que vai de férias, caso se interesse por mistérios, códigos secretos e caças ao tesouro…
A acção tem início em Inglaterra, mas leva-nos até às expedições ao Novo Mundo, no século XVI, e até à Jamaica, na actualidade. Guia-nos, no período Isabelino, um jovem escocês que dá pelo nome de James Ogilvie. É ele quem se vê, subitamente, a bordo de um navio que faz parte de uma expedição com um objectivo secreto, a mando da rainha Isabel de Inglaterra. É ele também quem passa pelas mais diversas aventuras, as quais vai narrando em código num diário que há-de chegar à Inglaterra de hoje, às mãos de um alfarrabista e negociante de mapas antigos, Harry Blake. Blake irá ver-se envolvido numa perigosa procura de um ícone antiquíssimo, que provém dos primórdios do Cristianismo e segue um percurso acidentado através dos tempos, passando pela época dos Cavaleiros Templários, a conquista e perda de Jerusalém pelos Cristãos, a destruição de Constantinopla…
A história vai, assim, desenrolar-se em duas épocas diferenciadas: a época Isabelina e a actualidade. O diário e o ícone são os factores que ligam estas duas realidades. Pelo meio, ficam a astronomia, a navegação na época dos Descobrimentos, a exploração do Novo Mundo, a rivalidade entre Católicos e Protestantes, e até a criação de um calendário alternativo ao Gregoriano!
Os temas são vastos, a acção é electrizante e a escrita é fluida. Deste modo, estamos perante um livro que nos proporciona várias horas de agradável leitura…

terça-feira, 26 de julho de 2011

As Mulheres da Casa do Tigre

Autoras: Marion Zimmer Bradley, Andre Norton, Mercedes Lackey

Edição/reimpressão: 2008

Páginas: 548

Editor: Difel

Coleção: Literatura Estrangeira

ISBN: 9789722909129


Não é com frequência que encontramos uma obra escrita em parceria por três grandes escritoras de ficção. E não é certamente fácil escrever uma narrativa com interesse, com sentido e coerência, quando pensada a três vozes.
Pois bem, esta obra de ficção científica consegue ter tudo isso e prender a nossa atenção, de forma constante, do início ao fim.
A acção passa-se em Merina, uma pequena cidade-estado, num tempo indefinido, e poderia facilmente resumir-se à eterna luta entre o bem e o mal. De um lado as guardiãs do Coração do Poder, a representação física da Deusa Brilhante; do outro, o tenebroso Apolon, mago e defensor do Poder das Trevas. De um lado, os Anjos; do outro, os Demónios. Recuperando uma ideia querida a Marion Zimmer Bradley, a obra apresenta-nos as três faces/fases da Deusa: enquanto Donzela (representada por Shelyra, detentora do Poder da Deusa, em potencial), enquanto Matrona (personificada pela rainha Lydana, que se encontra muito próxima de entrar na posse dos Poderes/Talentos) e enquanto Feiticeira (representada pela rainha-mãe Adele, uma maga em todo o seu potencial).
No entanto, o livro não se esgota nesta luta, bem pelo contrário. Vai mais além e, de modo aparentemente leve, faz-nos reflectir sobre a força interior de cada um, sobre a capacidade que a humanidade tem de ultrapassar as adversidades, sobre o poder da união e a força da Fé. Ao mesmo tempo, apresenta-nos diversas crenças, como as dos Ciganos e as dos Senhores dos Cavalos, com o intuito de demonstrar que, apesar das diferentes designações, a Fé existe em todas as culturas e civilizações, como força motriz de grandes lutas e da capacidade de vencer grandes desafios.
Uma leitura interessante e despretensiosa para este Verão…

terça-feira, 19 de julho de 2011

World Without End






Autor: Ken Follett

Edição/reimpressão: 2008

Páginas: 1237

Editor: Pan MacMillan

ISBN: 9780330490702

Idioma: Inglês


Aqueles que não conseguem esperar até que a sequela de Os Pilares da Terra seja publicada em português, podem sempre recorrer à versão original inglesa, já à venda no nosso país.
Voltamos a Kingsbridge, dois séculos mais tarde, ainda em plena Idade Média. E desta vez acompanhamos um grupo de crianças, cujas vidas se irão interligar, à medida que crescem e ocupam o seu lugar na comunidade: Caris, um dos pilares da sociedade de Kingsbridge; Merthin, um talentoso artífice, que ambiciona construir o edifício mais alto de Inglaterra; Gwenda e Wulfric, que lutam contra todas as adversidades, que surgem muitas vezes a mando do seu senhor, o execrável Ralph; os clérigos Godwin e Philemon, que nem sempre colocam os preceitos de Deus acima do desejo de poder.
Desta feita, Ken Follett faz-nos seguir três dos protagonistas num périplo por Itália e França, dando-nos a conhecer a arquitectura religiosa e laica destes dois países, célebres pelas suas catedrais, edifícios seculares e pontes. As descrições são muito interessantes e pormenorizadas, algo a que o autor já nos habituou. Como pano de fundo desta viagem temos a peste e as eternas contendas entre Franceses e Ingleses.
O autor atribui, nesta obra, uma notável importância às mulheres, cujas acções são com frequência o motor da evolução da sociedade. São elas quem quebra antigos tabus, antigas tradições, optando pela mudança, pela modernização, que acabarão por se traduzir numa maior capacidade da comunidade para enfrentar os problemas com que se debate.
O livro apresenta-nos ainda, e em abundância, descrições de tácticas militares, de batalhas e de confrontos, que contribuem para uma maior fluidez da leitura. As maquinações pelo poder, entre o clero inglês da época, são também um factor relevante, quando nos interessamos por um pouco de história.
Trata-se, pois, de um livro cheio de acção, intriga e mistério, que se lê facilmente e sem que queiramos parar. Para todos os gostos…

domingo, 10 de julho de 2011

Os Pilares da Terra



Autor: Ken Follett

Edição/reimpressão: 2007

Páginas: 504

Editor: Editorial Presença

ISBN: 9789722337885

Colecção: Grandes Narrativas



Eis um romance (na edição portuguesa apresentado em dois volumes) que não deixa ninguém indiferente.
A acção decorre na Idade Média, transportando-nos até Inglaterra, mais precisamente até à vila e priorado de Kingsbridge. É aqui que acompanhamos a luta de pessoas normais pela sobrevivência, dia-a-dia. Mas é também entre estas pessoas banais que encontramos aquelas que parecem ser, de algum modo, animadas por um espírito mais vivo, ou por uma melhor visão do que podem ser grandes obras, aos olhos de Deus e do Mundo, tudo girando em volta da construção da Catedral de Kingsbridge.
Assim, damos por nós a sofrer com os protagonistas – sejam eles Tom, o construtor; o seu enteado Jack, que tem um talento especial para trabalhar a pedra; a amada deste último, Aliena, que demonstra ser uma admirável líder nos piores momentos pelos quais a comunidade vai passando; ou mesmo o prior Philip, um pastor com capacidades de gestão acima da média. Trata-se, pois, de uma obra bastante actual, nos tempos que vão correndo.
Como se o acima descrito não fosse suficiente, é necessário dizer que Ken Follettt nos brinda, uma vez mais, com um contexto histórico e socioeconómico deveras bem conseguido, fruto, sem dúvida, de uma pesquisa acurada dos costumes, das leis e do pensamento da época.
Resta acrescentar que as centenas de páginas, com que nos confrontamos nos dois volumes, se lêem de um fôlego e, no final, deixam um certo “sabor a pouco”.
Agora é só esperar pela sequela desta obra magnífica… que decerto também não nos desapontará!