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segunda-feira, 13 de abril de 2009

O trabalho é sagrado


O trabalho é sagrado
Henrique Nicolau

Não será de longe o seu melhor livro e nem será propriamente uma história original, ao género de Henrique Nicolau, é contudo cativante.

Um jornalista, cujo nome não sabemos, é encarregue de uma reportagem que envolve a estranha morte de um homem influente do Porto. Politica, dinheiro e muita corrupção são os temas chaves da investigação.

Henrique Nicolau tem como ponto forte nos seus policiais a personagem principal que tem sempre características especiais, nunca sendo os típicos heróis. Ou mulherengo, ou dados ao ócio e à bebida, sempre um pouco caricatas mas sempre insistentes no objectivo de descobrir a verdade.

Neste caso as personagens não são nada típicas, o jo
rnalista passa 90% do livro a beber, a comer e a ... não pensa duas vezes em relação a como descobrir tudo. Envolve-se com alguns mafiosos, utilizando até alguns conhecimentos no meio mais obscuro da criminalidade para dar umas boas amassadelas em personagens que se encontram envolvidas no crime. Tudo para chegar à verdade. Outro ponto forte, são os regionalismos que são muito bem empregues e divertem-nos ao longo do livro.

"António Damião nasceu em Pocariça (Alenquer) em 1941. Aos 14 meses veio para Lisboa. Aí frequentou a escola primária e o liceu (Gil Vicente). E por aqui ficou; hoje a residir nos Olivais.
Trabalhou para cinema (publicidade, documentários, televisão), tendo realizado o filme Talvez Amanhã (1969).
Recebeu os prémios Editorial Caminho de Literatura Policial com O Trabalho é Sagrado, e Repórter X, da Associação Policiária Portuguesa, com Todos e Nenhum.
Com onze livros publicados, entre os quais Na Boca da Infância (1988) António Damião é, no entanto, mais conhecido pelo pseudónimo Henrique Nicolau com que assina os seus romances policiais."


Descobri também que tenho uma das obras do Henrique Nicolau com dedicatória.

domingo, 8 de março de 2009

Todos e nenhum


Todos e nenhum
Henrique Nicolau

"Cuspiu na palma das mãos para melhor segurar o cabo, deu duas ou três enxadadas particularmente energéticas, parou de súbito, e , com um desabafo que se atira ao vento, disse: - Isto de matar um homem, tem muito que se lhe diga! E as vezes até pode acontecer por acaso."

Após ter lido "Uma vida em beleza" do Henrique Nicolau e ter simplesmente adorado o livro, mais pela escrita do autor, aproveitei o lanço e peguei noutra obra do mesmo que já se encontrava nas nossas estantes.

Uma semana de férias passada na aldeia, na casa de uns amigos, transforma-se num desafio para o jornalista, que ouve por acaso falar numa estranha morte. O mistério que se cria em redor da morte do Pimenta vai aumentando tanto como a curiosidade do jornalista. Numa aldeia em que as pessoas todas se conhecem, e todos tentam esconder os seus podres e males, vêm-se a descobrir histórias inimagináveis. Tudo é dito em meias palavras e tudo é escondido do lisboeta bisbilhoteiro.

Todos e Nenhuns é uma belíssima obra. Muito original a nível de história, bem escrito e divertido. Com um linguagem muito própria e característica, com vários regionalismos que me fazem relembrar a minha própria aldeia.

terça-feira, 3 de março de 2009

Uma vida em beleza

Uma vida em beleza
Henrique Nicolau

”…havia a corda do balde e fui buscá-la. Quando voltei com ela, já ele mal se aguentava à superfície e enrouquecia a pedir-me por tudo que lhe atirasse a corda. Mas eu continuava ali sem me mexer, e assim fiquei sorrindo sempre, gozando como nunca imaginara.”

Provavelmente o melhor livro que li no ultimo ano. Realmente muito bom. O tipo de escrita é o que mais me cativou, sempre com um tom jocoso e leve. Fácil de ler, mas sem ser de uma linguagem vulgar ou demasiado comum. Um verdadeiro escritor consegue fazer isto, escrever de uma maneira fluente, de modo a que não se queira parar de ler a obra.

Peguei no livro por acaso, li a pequena frase que se encontra na capa e fiquei curiosa. parecia-me algo maléfico, que me relembrou “O homem que odiava a chuva e outras histórias perversas” de Guilherme de Melo. Não o considero um policial, nem pouco nem mais ao menos, é muito mais que isso. É um boa sátira a sociedade portuguesa. Em muitos momentos, temos a sensação que não estamos a ler a história da vida de uma personagem imaginária, mas sim, de muitos políticos e empresários influentes do nosso país.

Encantada com este livro, comecei já a ler outra obra do Henrique Nicolau (pseudónimo de António Damião).