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sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Como um rio sem pontes

Como um rio sem pontes 

Autor: Guilherme de Melo
Data de Publicação: 1992
Editora: Círculo de Leitores
Páginas: 170
ISBN:

 

Guilherme de Melo é para mim um dos grandes autores portugueses. Adoro a escrita, nada presunçosa, mas elegante e com um excelente ritmo. Uma escrita com musicalidade, não há quebras no discurso, as frases sucedem-se e encaixam-se na perfeição, sem nunca nos fazer recuar no texto para o perceber. Não é excessivo na adjectivação, mas "desenha-nos" com perfeição as personagens. Como podem perceber adoro o autor.

Aborda usualmente os temas da homossexualidade e da guerra colonial, assim como o retorno dos portugueses que viviam nas antigas colónias portuguesas. Neste "Como um rio sem pontes" - um belo título, diga-se de passagem - "ouvimos" a história de Miguel, este encontra-se internado no hospital recebendo as visitas regulares do pai. Enquanto a personagem nos conta como chegou ali, vamos percorrendo a sua infância, a sua brusca saída de África, o seu percursos em Lisboa e toda a história familiar.
Miguel com 30 anos é toxicodependente, encontra-se internado com SIDA em estado terminal, e é com muita ternura que o leitor o "acompanha" na viagem final.

Uma história intensa e mesmo após 18 anos, ainda muito real e actual.

quinta-feira, 29 de maio de 2008

As sombras dos dias


A sombra dos dias
Guilherme de Melo

Por falta de conhecimento na área, não poderei dizer que este se trata do melhor livro sobre homossexualidade, no entanto, sem sombra para dúvidas, aborda o tema magistralmente, sendo por si só um grande livro.

O título está muito bem conseguido, o início do livro dá-se no meio de um intriga entre a personagem principal e o namorado, o que induz desde logo a curiosidade e a vontade de acompanhar o desenlace dos acontecimentos.

O livro se não é, parece muito autobiográfico. Tal como o autor, a personagem Gui (Guilherme talvez? ) nasce em Moçambique torna-se jornalista profissional e assume perante a sociedade a sua homossexualidade. A personagem passa alguns momentos caricatos durante o romance. Casa-se expondo à noiva as suas recentes descobertas. Aceita anos depois o divórcio com naturalidade assumindo-o como algo inevitável. Torna-se uma personagem respeitada na sociedade branca de Lourenço Marques, consegue impor os seus namoros, relações longas e fortuitas.

Guilherme de Melo expõe de um modo muito directo e simples o mundo e os meios em que se gira sendo homossexual. Pelo meio o autor nunca deixa de parte a altura conturbada de guerra colonial, os problemas raciais e por fim o eclodir da fuga em massa dos colonos.

Editado pelo Circulo de Leitores em 1981 com uma primeira edição de 3000 exemplares, é
um grande romance, sobre um tema ainda hoje muito controverso.