
PersuasãoJane Austen
Este é o segundo livro que leio de Jane Austen e que me agradou bastante mais que o anterior, "Orgulho e preconceito". Mais pequeno mas mais bem delineado. Nesta historia conhecemos a família Elliot, também ela muito caricata e de classe média-alta. Anne Eliot é o membro mais razoável e inteligente da família. Anne apaixona-se por um oficial da marinha - Frederick Wentworth, que no entanto não tem nome, nem bons conhecimentos.Sem o apoio da família Anne, desiste do noivado e do seu amor. Oito anos depois, Frederick volta a encontrar-se com Anne, desta vez com uma bela fortuna e à procura de uma jovem para se casar. A família de Anne em contra partida esta falida. Daqui se desenrola a historia. Jane Austen caracteriza muito bem a sociedade e a estanquecidade das classes sociais, a importância de um nome de família, do dinheiro e das relações.É curioso reparar como as relações se mantinham nesta altura, como era importante ser apresentado a uma duquesa, ou de visitar alguém que chega de novo à vizinhança, se este tiver estatuto social, deixando um cartão de visitas. O tema é um pouco banal para nós hoje, mas Jane Austen escreve bem e descreve ainda melhor. Este livro deu-me bastante mais prazer que o anterior, o que tornou a leitura muito mais fluente.
Madame BovaryGustave Flaubert
Um livro que demorou mais de 5 semanas a ser lido e que por várias vezes esteve prestes a ser encostado. Pelo meio li vários outros livros mas decidi que não encostava um clássico tão facilmente e tive também várias pessoas que me garantiam que era um bom livro.
O livro divide-se em 3 partes. Em que a acção vai melhorando muito na segunda e terceira parte. É inegável que Gustave Flaubert escreve bem. Não é o meu género de escrita, muito descritivo e lento a nível de acção. No entanto as ultimas 120 páginas foram lidas num dia, o que só demonstra a qualidade da escrita. A terceira parte do livro é rápido e muito interessante a nível de escrita e acção.
O livro conta-nos a historia de Charles Bovary, que se torna um médico medíocre. Apaixona-se por Emma com quem se casa. A vida do pobre imbecil (e só assim poderei fazer justiça a Charles Bovary) a partir desse momento caminha para o abismo sem ele ter noção de nada. Emma torna-se rapidamente um mulher insuportavelmente frívola, leviana fútil, inconstante todos os adjectivos neste sentido podem-lhe ser atribuídos... Emma deseja ardentemente apaixonar-se e acima de tudo que se apaixonem por ela. Deseja o luxo. O descalabro a partir daqui é grande e mesmo eu não gostando muito do livro desejei que houvesse salvação para Emma e para Charles. Tive pena do modo como todos se aproveitaram deles e de como ela nunca teve percepção do que iria acontecer e de como ele por a amar cegamente acreditava em tudo o que ela dizia.
Recomendo o livro para quem gostou de livros como "Os Maias".
Um estudo em VermelhoSir Arthur Conan Doyle
Não há amor como o primeiro e não haverá livro como o primeiro. Sherlock Holmes faz parte da minha adolescência. Foi ele que me levou a beleza dos livros, das historias e todo um mundo tão diferente daquilo que eu conhecia. Foi por a minha irma ter na sua estante um livro enorme vermelho com um morcego enorme (colecção vampiro - Livros do Brasil), que eu me tornei na leitora apaixonada que sou hoje. Numa casa em que não havia o habito da leitura e onde havia uns escassos 15 livros (para alem dos manuais escolares) iniciei-me na leitura com Sir Arthur Conan Doyle. Como tal, os amantes de Agatha Christie que me perdoem por considerar Sherlock Holmes o detective mais sublime e apaixonante de todos os tempos.O Estudo em Vermelho é a primeira história na saga de Sherlock Holmes, nele pela mão de Dr. Watson conhecemos Sherlock Holmes com quem ira dividir apartamento na tão conhecida Baker Street nº 221B. Nesta altura ainda Sherlock Holmes é um desconhecido para o publico em geral, e para o Dr. Watson. Apenas alguns inspectores da Scotland Yard conhecem as imensas qualidades e as técnicas únicas da dedução lógica utilizado por Holmes, recorrendo a ele em casos mais difíceis de desvendar.O crime encontra-se envolto de características estranhas. Um americano rico é encontrado morto numa casa desocupada. Sem nenhum ferimento físico mas rodeado por sangue, com uma expressão de terror estampado no rosto, mas sem indícios de luta, Sherlock Holmes entra em acção desvencilhando estre crime em 3 dias.O primeiro de muitos casos de Sherlock Holmes.
As minas de Salomão
Ridder Haggard
tradução de Eça de Queiroz

Uma obra que me surpreendeu muito. Gostei de ler o livro, é pequeno, fácil de ler, muito divertido. Fiquei curiosa também em saber que tinha sido traduzido pelo Eça de Queiroz e que este não tinha só traduzido a obra, mas tinha-lhe dado uma interpretação própria.
As minas de Salomão trata de uma expedição a umas lendárias minas cheias de ouro, diamantes e riquezas. O lendário Allan Quatermain aventureiro caçador de elefantes é contratado por um barão inglês que procura o irmão desaparecido à 2 anos nas famosas minas. Allan Quatermain é uma personagem divertida, quem não se lembra do Sean Connery em A Liga dos cavalheiros extraordinários na personagem de Allan Quatermain? Allan Quatermain assume-se como um homem cheio de defeitos, cobarde, mas acima de tudo um gentleman. Orgulha-se de nunca ter morto um homem injustamente, e de nos casos em que o fez, o ter feito apenas para defender o bem mais precioso que Deus lhe tinha dado, a vida. Ri-me imenso com a personagem.
As aventuras são muitas, e tudo está magistralmente descrito. As lutas, as paisagens, as personagens que vão encontrando pelo caminho...
É um livro que recomendo, por ser leve e nos fazer passar uma boa tarde. É também uma referencia adequada para quem gostar de Júlio Verne.
Versão online

Pássaros Feridos
Colleen McCullough

"Pássaros Feridos é a saga vigorosa e romântica de uma família singular, os Clearys. Começa no princípio deste século, quando Paddy Cleary leva a mulher, Fiona e os sete filhos do casal para Drogheda, vasta fazenda de criação de carneiros, propriedade da irmã mais velha, viúva autoritária e sem filhos; e termina mais de meio século depois, quando a única sobrevivente da terceira geração, a brilhante actriz Justine O’Neill, muitos meridianos longe das suas raízes, começa a viver o seu grande amor."
Um livro por muitos considerado uma obra prima, mas que a mim não conseguiu tocar do mesmo modo. O resumo acima caracteriza bastante bem a história que se irá desenrolar durante o livro. A história de uma família pobre, trabalhadora e de corações bons. O ponto forte do livro são as personagens. Não é um livro que rode em torno de 2 ou 3 personagens, mas que conta a historia da vida dessas pessoas. Ficamos a conhecer as personagens como se fossem nossos conhecidos. Paddy e Fiona, duas personagens belíssimas, um casal cheio de magoas, amor e desentendimentos. Maggie e Ralph, o eterno amor impossível. Mary uma mulher de índole má e egoísta. Justine e Dane, fantásticos. Dois irmãos com nada em comum que se adoram profundamente. E tantas outras...
São personagens que não esquecemos, que nos marcam e que nos merecem um carinho especial, mas que contudo estão enquadradas numa história um pouco comum. Tive pena. Livros como este, que nos conta a história de uma família atravessando várias gerações, tem que ter algo que os distinga, algo que marque o leitor. Caso contrário é apenas mais uma família, mais um livro. Neste caso, a escrita da Colleen McCullough também não é sublime.
Fiquei um pouco desiludida com o livro, pois só tinha lido excelentes criticas em relação ao livro.
Será que o li numa má altura? Será que tinha as expectativas demasiado altas? Poderá ser.