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terça-feira, 29 de dezembro de 2009

A canção de Kali



A Canção de Kali

Autor: Dan Simmons
Data de Publicação: 2005
Editora: Saída de Emergência
Páginas: 240
ISBN: 9728839340

"Robert Luczak, jornalista e editor, é enviado a Calcutá para recuperar um manuscrito de uma raridade incalculável. O seu autor é um obscuro poeta indiano que morreu há quase dez anos. O manuscrito, no entanto, é mais recente, e estranhos rumores dizem que o autor ressuscitou para escrever essa obra."


Comecemos pelo fim. Gostei.
Um livro razoável mas não brilhantes na minha modesta opinião. Muito desequilibrado, com altos e baixos de interesse. O autor não sabe gerir o livro e dá-lhe em vários momentos demasiada "palha". Prolonga demasiado a "espera" pelos acontecimentos.

Dividiria o livro em três partes.
A primeira muito interessante, descreve a viagem do jornalista com a sua família para a Índia.
As descrições estão tão boas que por vezes sentimos-nos atormentados com as imagens que nos trazem. O lixo, os cheiros, os barulhos infernais. A violência desmedida, o calor sufocante. Tudo isso é-nos descrito de tal modo que sentimos que tudo aquilo é real e possível e nada exagerado. É descrita a chegada, o aeroporto miserável, os pedintes e arrumadores capazes de se matarem por meio dólar, o hotel.
Depois de "Bobby" se encontrar com a Associação dos escritores, é convencido pelo guia a ouvir uma outra versão dos acontecimentos que envolvem o reaparecimento do poeta Das. A história que Bobby ouve, para mim é talvez a melhor parte do livro. Aquela que nos consegue aproximar mais da realidade de Calcutá.

A segunda parte do livro vai até à "reencontro" de Vitoria. A segunda parte não está tão bem conseguida como a primeira, não está tão fluída. Continua a narrar a violência e a miséria de Calcutá, contudo não é tão eficiente. Enquanto que na primeira parte ficamos espantados, boquiabertos com o que vamos lendo nesta segunda parte, começa a ser apenas repetitivo. E mais do mesmo. Os acontecimentos sucedem-se e por momentos o autor parece que perdeu as "rédeas" do livro.
Chegamos a um ponto em que a historia já terminou, mas em que ainda não sabemos o que realmente estava ali a acontecer.

A terceira parte, é um disparate completo. Tudo aquilo, chama-se encher chouriços: Bobby fica desesperado, Bobby está desempregado, Bobby empregado, Bobby a beber, mulher de Bobby com depressão, Bobby compra arma, ouve a canção de Kali, vai a Calcutá e depois afinal já se arrependeu, Bobby volta para EUA, faz as pazes com a mulher, muda de casa, arranja outro emprego, morre o amigo editor... blá, blá, blá... completamente desnecessário e arreliante.

Parece estranho eu dizer que gostei, o que acontece é que tinha muitas expectativas em relação ao livro e fiquei desiludida.


terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Tudo o que resta


Tudo o que resta

Autor: Patricia Cornwell
Data de Publicação: 1998
Editora: Editorial Presença
Páginas: 326
ISBN: 9789722323574

Sinopse
"Tudo o que resta são corpos em avançado grau de decomposição. Resta sempre também, no local do crime, um misterioso valete de copas. Na trama está envolvida igualmente uma mulher publicamente conhecida empenhada numa cruzada contra a droga, e um elemento do FBI que esconde provas para proteger alguém importante. Um caso sinuoso para a inquieta Kay Scarpetta desvendar. Mais um policial da autoria de Patricia Cornwell, escrito com surpreendente rigor e veracidade."

Uma autora desconhecida mas que me suscitou curiosidade pelas opiniões positivas que fui encontrando. Tudo o que resta é um policial que nos relembra as series de televisão tais como CSI, Bones, etc. A historia não é excepcional nem inovadora. Está é muito bem escrito, conseguimos acompanhar passo por passo os pensamentos de Kay, as descobertas e os raciocínios que a levam a descobrir o assassino. Esse é um ponto muito forte do livro, é ser real e possível, não nos deparamos com deduções muito elaboradas e mirabolantes. Sentimos também o medo, a esperança e a preocupação da personagem principal.
Para aqueles que gostam dos policiais "actuais" este livro será uma boa escolha, para uma amante dos clássicos, fica um pouco aquém.



terça-feira, 8 de dezembro de 2009

A Muralha de Gelo


A Muralha de Gelo
George R.R. Martin

Autor:
George R.R. Martin
Data de Publicação: 2007
Editora: Saida de Emergência
Páginas: 416
ISBN: 9789896370206

O segundo volume de As Crónicas de Gelo e Fogo.

"Eddard Stark só aceitou o prestigiado cargo de Mão do Rei para proteger o rei... ou não suspeitasse que o anterior detentor desse título fora mandado assassinar pela rainha. Mas agora Eddard tem a certeza que foi ela. E também sabe a razão: a rainha tem um segredo escabroso que pode levar à queda da dinastia e mesmo à guerra civil!

Mas a ameaça de guerra civil não é a pior sombra que paira no ar. No norte, para lá da muralha de gelo, uma força misteriosa manifesta-se de maneira sobrenatural. E ainda mais longe, a última herdeira dos Targaryen prepara-se para invadir os Sete Reinos com o maior exército alguma vez visto... e com o auxílio de dragões!"


Muito se fala desta saga e sem duvida nenhuma, com muita justiça. São realmente livros excepcionais, com um enredo complexo mas acima de tudo muito cativante. Cada personagem faz-nos nutrir algum tipo de sentimento, ou porque as adora-mos ou porque as detestamos.
Neste segundo volume da saga, ficamos preocupados com o futuro dos membros da família Stark, todos eles se encontram em perigo e perante um futuro inserto. Durante todo o livro somos surpreendidos pelos acontecimentos, nada nos faz adivinhar o que Martin reserva a cada personagem. Desde a súbita morte de Drogo e do nascimento dos dragões, passando pela morte de Ned assim como o destino das filhas dele.

Uma saga que vale mesmo a pena ler.

domingo, 22 de novembro de 2009

Sangue Fresco



Sangue Fresco
Charlaine Harris

Autor: Charlaine Harris
Data de Publicação: Abril de 2009
Editora: Saída de Emergência
Páginas: 268
ISBN: 978-989-637-118-0

"Uma grande mudança social está a afectar toda a humanidade.
Os vampiros acabaram de ser reconhecidos como cidadãos. Após a criação em laboratório, de um sangue sintético comercializável e inofensivo, eles deixaram de ter que se alimentar de sangue humano. Mas o novo direito de cidadania traz muitas outras mudanças...
Sookie Stackhouse é uma empregada de mesa numa pequena vila de Louisiana. É tímida, e não sai muito. Não porque não seja bonita - porque é - mas acontece que Sookie tem um certo "problema": consegue ler os pensamentos dos outros. Isso não a torna uma pessoa muito sociável. Então surge Bill: alto, moreno, bonito, a quem Sookie não consegue ouvir os pensamentos. Com bons ou maus pensamentos ele é exactamente o tipo de homem com quem ela sonha. Mas Bill tem o seu próprio problema: é um vampiro."
Saída de Emergência


Como já vi a serie (e gostei bastante) e como já andava um pouco cansada de vampiros, não estava a planear ler "Sangue Fresco", foi uma leitura imprevista. Foi numa das minhas divagações pelas estantes à procura do próximo livro para ler, que peguei e já não o larguei mais.

Leitura muito fácil, mas extremamente cativante, com personagens fortes e deliciosamente sangrentas. A história de Sookie e Bill cativa por não ser aborrecida e muito "real". Ele gosta de sangue e gosta dela, ela gosta dele e dá-lhe um pouco do seu sangue. Uma combinação perfeita com os dramas normais de uma relação conflituosa como só a deles poderá ser. Um mundo povoado de seres fantásticos: vampiros, telepatas, metamorfos e muito mais. Muitos vampiros, muitas personagens divertidas e muitas mortes. Diferente! E muito bom!

terça-feira, 17 de novembro de 2009

A Luz



A Luz
Stephen King

Autor: Stephen King
Data de Publicação: 8 de Abril de 2009
Editora:
Páginas: 438
ISBN: 978-84-612-8495-5



O livro que dá origem ao tão conhecido filme "The Shining" realizado por Stanley Kubrick e com a inesquecível representação do Jack Nicholson, faz-nos saltar de emoção e terror.

Jack tenta recomeçar a sua vida com a mulher e o filho como zelador no hotel Overlock. Após anos como alcoólico e incidentes graves de violência e descontrole, Jack tem esta ultima hipótese para fazer a sua família feliz e construir um futuro.
Wendy, a mulher de Jack é uma personagem frágil e um pouco apagada, vive para a sua família, lutando com os seus dilemas sobre um possível divorcio, a sua relação com a mãe, ou a sua capacidade em ser uma boa mãe.

Danny um menino muito inteligente com cerca de 5 anos, tem "a luz", consegue "ouvir" os pensamentos das outras pessoas, sentir os estados de espírito dos outros e vê coisas que as outras pessoas não vêem. Tem um amigo imaginário, Tony, que lhe mostra coisas perdidas ou mesmo tenta avisa-lo dos perigos eminentes.

Overlook é afinal muito mais que um simples hotel de luxo. Danny avisado por Tony teme pela ida da família para o hotel nas montanhas, mas nada o podia preparar para o terror que iria enfrentar no hotel. Assim que a família Torrance chegam a Overlook, Danny começa a a sonhar cada vez mais, vê sangue, sombras e ouve barulhos. Vê mangueiras que se mexem e o tentam apanhar, e arbustos que o tentam caçar. Assustado o menino tenta ultrapassar tudo o que o rodeia, mas o hotel começa a mexer com aqueles que ele mais ama. Aos poucos o hotel vai destruir a sua família.

Li "A luz" por ser o livro escolhido para a leitura conjunta que se está a realizar no forum bbde. Não fiquei muito cativada pela ideia, pois nem o autor nem o livro me seduziam, mas decidi dar uma hipótese ao autor. Posso já dizer que é excelente. Cativante e aterrorizador em muitas partes. Consegue prender-nos às personagens, a maior qualidade do livro é mesmo as imagens que consegue nos transmitir. Várias são as passagens, em que se sente um arrepio de medo. Para quem ainda não leu nada dentro do género e gostaria de tentar, sem duvida uma excelente escolha.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

O dragão branco II



O dragão branco II
Anne McCaffrey

Terminei a segunda parte do "O Dragão branco", que consiste no terceiro volume da saga "Os cavaleiros de Pern". A saga em si é muito boa, a escrita da autora excelente e as personagens são muito consistentes. A historia é muito boa e os dragões são adoráveis. Dá vontade de ter um como amigo.

Este volume é o mais fraquinho, com menos acção mas em que ficamos a conhecer mais as personagens, os dragões e o planeta Pern. Acho que como conjunto, os três livros funcionam e são óptimos, não muito equilibrados mas uma excelente leitura. Tive pena deste terceiro volume não ser mais arrebatador, pois depois deste terceiro volume não há grande pressa em pegar nos seguintes. Contudo irei ler os restantes livros sobre Pern, não será é para já...

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

O dragão branco I



O dragão branco
Anne McCaffrey


O dragão branco é a continuação da saga de "Os Cavaleiros de Pern". Neste terceira parte (O Voo do Dragão e de A Demanda do Dragão) conhecemos a história do pequeno dragão branco que sobreviveu contra as expectativas, envolto num nascimentos complicado e uma impressão controverso, Ruth terá um papel importantíssimo para a segurança de Pern.
O nível de qualidade da "saga" continua excelente, um pouco mais lento, um pouco mais à descoberta das personagens como Jaxom (o cavaleiro de Ruth), aumenta a expectativa para o segundo volume. As personagens continuam maravilhosas e cativantes.

Para os amantes do género (que não será o meu caso) é um livro obrigatório. Editados pela colecção Argonauta e recentemente pelo Gailivro.

Curiosidades

sábado, 19 de setembro de 2009

Clube Arcanum


Clube Arcanum
Thomas Wheeler


"O Livro de Enoque, o mais poderoso artefacto do mundo, é uma crónica dos erros de Deus e contém nas suas páginas a chave para o fim do mundo. Infelizmente acaba de ser roubado.
Estamos em 1919 e a Grande Guerra chegou ao fim. (...) Quando Konstantin Duvall, o fundador do Clube, morre de forma suspeita em Londres, cabe ao mais antigo membro, o famoso escritor Sir Arthur Conan Doyle, investigar o caso. Pois da biblioteca secreta do morto desapareceu o artefacto mais poderoso do mundo: o Livro de Enoque."

Em geral foi um livro que me agradou, normalmente não gosto muito de personagens reais ou conhecidas envolvidas noutros livros, ou em grandes aventuras, fico sempre com a sensação de que pegar em Arthur Conan Doyle e por-lo a investigar um roubo é aproveitar-se da própria fama do escritor para escrever um livro. Contudo isto (uso da fama dos outros em proveito próprio) acontece de tantos modos e é tão comum, que neste caso, não acho o mais relevante.
O livro é um verdadeiro "livro de acção", tem um ritmo muito "acelerado", as personagens passam o tempo todo a fugir de demónios. Mortes, magia, feitiços estão presentes durante o livro todo. E várias são as personagens que entram em cena para ajudar Conan Doyle a recuperar o Livro de Enoque e para vingar a morte do líder do Clube de Arcanum, Duvall.
Um livro agradável de ler, não será brilhante, mas dará um bom filme de acção. No meu caso, abordou vários temas pelos quais fiquei curiosa, pois pouco conhecia sobre o mesmo, o ocultismo para mim contem muitos mistérios, mas fiquei curiosa de ler mais sobre o assunto.


segunda-feira, 7 de setembro de 2009

A guerra dos tronos


A guerra dos tronos
George R.R. Martin


Quando Eddard Stark, lorde do castelo de Winterfell, recebe a visita do velho amigo, o rei Robert Baratheon, está longe de adivinhar que a sua vida, e a da sua família, está prestes a entrar numa espiral de tragédia, conspiração e morte. Durante a estadia, o rei convida Eddard a mudar-se para a corte e a assumir a prestigiada posição de Mão do Rei. Este aceita, mas apenas porque desconfia que o anterior detentor desse título foi envenenado pela própria rainha: uma cruel manipuladora do clã Lannister. Assim, perto do rei, Eddard tem esperança de o proteger da rainha. Mas ter os Lannister como inimigos é fatal: a ambição dessa família não tem limites e o rei corre um perigo muito maior do que Eddard temia! Sozinho na corte, Eddard também se apercebe que a sua vida nada vale. E até a sua família, longe no norte, pode estar em perigo.


Excelente!
Adorei o livro, a sua escrita, a história, as personagens. Cativou-me. A sua escrita é muito fluente sem ser nada banal. Ouvia falar tão bem do livro que fiquei com receio de este ser uma colagem ao Senhor dos Anéis. Mas nada disso. Ainda estou a remoer nas intrigas das varias "casas senhoriais", ainda estou aqui a pensar nas escolhas de certas personagens... Irei certamente ler os restantes livros desta colecção, mesmo que seja para arruinar as minhas finanças. E considero este livro de leitura obrigatória, para aqueles que gostam do género, e mesmo para aqueles que não gostam... um bom livro para se iniciarem no género.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Amanhecer


Amanhecer
Stephenie Meyer

Neste quarto livro da saga Luz e Escuridão, as promessas deverão ser compridas, um casamento e uma transformação de Bella em vampiro. Inevitavelmente novos problemas surgem com o casamento, dúvidas e esperanças da Bella crescem a medida que a hora se aproxima, mas o inesperado acontece e tudo irá mudar rapidamente.

Com este livro termina a saga, o livro melhorou alguma coisa em relação aos anteriores, tem um ritmo mais agradável e menos lamechas. A escrita parece-me ter evoluído ligeiramente, mas só mesmo ligeiramente. O que me desagradou foi a necessidade de acabar tudo muito bem. Tudo acaba tão bem que torna a história demasiado aborrecida. Casamento feliz, transformação fácil, dificuldades todas ultrapassadas com facilidade, novidades fantásticas, resoluções de problemas antigos de maneira fácil, enfim, a personagem principal tem tanta sorte, mas tanta sorte que tudo lhe corre bem.
É contudo uma história/livro que me cativou nesta fase final, mesmo tendo-me aborrecido muito no segundo e terceiro livro, termina bem a saga.

Espero que a escritora a estúpida ideia de continuar e esticar a história com as personagens.

sábado, 29 de agosto de 2009

A Trilogia de Nova Iorque



A Trilogia de Nova Iorque
Paul Auster



Este foi o livro escolhido para me iniciar o autor, assim como para um dos livros deste verão. Não é um livro que me tenha enchido de satisfação. Não é também um livro muito fácil e directo, entenda-se que quero dizer que qualquer um o consegue ler até ao fim, não é demasiado maçudo nem complexo, mas em termos de mensagem não é directo.

O livro é constituído por 3 contos/noveletas, independentes à primeira vista, mas com a mesma mensagem: solidão e a perda de si mesmo nessa solidão.

"A primeira parte, "Cidade de Vidro", apresenta níveis de realidade distintos. No primeiro, o próprio Paul Auster é ao mesmo tempo escritor ou narrador da história e, em outro nível, um dos personagens: Paul Auster, o detective em que se transforma Daniel Quinn, um solitário escritor de romances policiais (uma entre outras referências a Don Quixote no decorrer do livro). Ao longo da trama, presenciamos a destruição gradual da personalidade de Daniel Quinn, enquanto desconfiamos da existência do detective Paul Auster e da própria história que está sendo narrada e escrita em um caderno vermelho, ao que parece, apenas mais um delírio do protagonista, seja ele quem for.

Em "Fantasmas", o detective particular Blue é contratado por um cliente chamado White para investigar e vigiar continuamente um homem chamado Black, que descobrimos ser a mesma pessoa. Ao longo do conto, novamente é desenvolvido o tema da perda de identidade do personagem.

Na última parte, "O Quarto Fechado", o amigo de infância de um escritor desaparecido é solicitado por sua suposta viúva a publicar os originais inéditos do marido. Desta vez ocorre um processo de transferência de personalidade, enquanto o protagonista acaba se apropriando da vida do amigo, casando-se com ex-mulher e finalmente descobrindo sua própria potencialidade como escritor."

Fiquei curiosa por ler outro livro do autor, pois este não me parece uma pessoa muito equilibrada, o que me atrai bastante. Gostei também da escrita dele, assim como o modo como ele envolve tudo num novelo de lã bem confuso.

sábado, 8 de agosto de 2009

Metamorfose



Metamorfose
Franz Kafka


Como reagiriam vocês se alguém que vocês gostam muito, o vosso marido, o vosso filho, a vossa mãe, de um dia para o outro virasse escaravelho?

Esta é a premissa do livro, Gregor Samsa acorda um dia transformado em escaravelho, o pânico instalou-se naturalmente, ele e a sua família não estão obviamente preparados para uma situação destas. O que é interessante perceber é a falta de capacidade da família dele em se adaptar. E a questão põe-se: como reagiríamos nos?

Gostei muito do livro. Já o tinha folheado a uns tempos atrás e não lhe achei piada, pelo menos o suficiente para o ler. Desta vez no entanto gostei da capa, das ilustrações do livro e decidi pegar-lhe neste verão. Foi de leitura fácil, li numa tarde. Sem duvida um clássico e um bom livro.




sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Marcada



Marcada
P.C. Cast + Kristin Cast


O pior livro que li neste ano, e provavelmente nos últimos anos. Está extremamente mal escrito e tem uma historia horrivelmente alinhada. Cola-se claramente aos dois grandes sucessos da literatura fantástica de adolescente: Harry Potter e Crepúsculo. As personagens são ridículas e infelizmente considero a leitura deste livro como desperdício de tempo. Veio no BookMoche e para lá volta.

Alguns excertos:

"Sim, eu sabia sobre toda a questão do sexo oral. Duvido que haja algum adolescente vivo na América hoje a não saber o público adulto acha que fazemos sexo oral a rapazes como quem dá pastilhas (ou talvez seja mais apropriado dizer caramelos). Okay, são tudo tretas, e sempre mme irritaram. Claro que há raparigas que acham fazer sexo oral."

"Era loura, pequenina e praticamente perfeita. Aliás, fazia-me lembrar uma Sarah Jessica Parker mais nova (de quem não gosto, a propósito - é sempre tão... tão... chatinha e vivaça falsa)."

"era só o que me faltava, o stresse de brigar com a galdéria Menina Convencida, além de uma mudança de vida/espécie/escola?"

"já que sou gay, acho que devia contar como dois rapazes em vez de um. Quer dizer, comigo vocês têm o ponto de vista masculino e não têm que se ralar se vos quero apalpar as mamas ou não."


sexta-feira, 31 de julho de 2009

Nova – ezine de FC e Fantasia



Nova – ezine de FC e Fantasia nº3
Editor, revisor e paginador: Ricardo Loureiro
Co-editor: Nuno Fonseca


São vários contos que perfazem esta ezine, entre eles nomes sonantes da literatura da FC portuguesa. Uma pequena analise a cada conto.


O ANIMAL - Nuno Fonseca

O primeiro conto começa com uma cena muito caricata, entre dois "homens" que acabam de assassinar uma bonita moça. A escrita tem o seu interesse, pois não é directa, e nem tudo nos é contado de imediato. O conto desenrola-se como se fosse uma peça de teatro a que estamos a assistir e vemos as várias personagens a tomar o seu lugar.

Lentamente a história começa a tomar ritmo e as personagens de normais não tem nada, ao tempo que a história se desenvolve ficamos curiosos por saber mais. O conto pode e deve ser desenvolvida, talvez para uma quarta Nova, pois parece-me que termina um pouco repentinamente, no ponto alto da acção.


O ESQUEMA NIGERIANO - Richard A. Lovett
Um ciclista famoso após um aparatoso acidente passa os seus dias no computador e a ver televisão. A sua vida vai tomar um rumo bastante diferente quando ao ler o seu email encontra mais um que tão bem conhece como sendo o esquema nigeriano. Alguém "do outro lado do mundo" oferece uma quantia de dinheiro extraordinária em troca de fazer sair do país alguns largos milhões. Neste caso sabendo do que se trata e sendo este mail tão diferente do habitual, decide responder.

Uma escrita um pouco ligeira de mais para o meu gosto, mas que cativa e que consegue surpreender. Na minha opinião seria quase brilhante se tivesse terminado 2 paginas antes. Por vezes é uma mais valia deixar certos pormenores por explicar.


O POVO DO LIVRO - João Ventura
Um povo. Um livro que conta a historia do povo. E uma tradição: nunca esquecer o as historias do povo.

Simples mas muito bem escrito. Um conto muito curto (cerca de dez páginas) e o qual gostei bastante. Mais uma vez achei que há ali "pano para mangas" que pode ser muito desenvolvido e aproveitado. É também o que menos tem de FC/Fantasia até agora, o que se torna uma mais valia para a revista por ser variada.

Anjo do Scream - Douglas Smith
Num sistema galáctico diferente do que nos conhecemos, os humanos tomaram conta de vários planetas, assassinando e escravizando os vários povos Indígenas. O herói fez parte da tropa de elite - RIP, encontra-se fugido como traidor e vai envolver-se numa luta por aquilo que ele mais precisa.

O conto está interessante e deu-me bastante prazer a ler. Acho que peca por ter muuuuuuitos clichés.
Gosto que me surpreendam, e ali sinto um final demasiado... americano.

Brinca comigo! - João Barreiros
Este conto conta a historia de uma Horda de biobrinquedos que há 10 anos "migram" em direcção ao Alvo. Com o desgaste de anos, todos os sistemas mecânicos e orgânicos dos brinquedos, estão gastos e exaustos numa luta e certeza de estarem prestes a chegar ao Alvo.

Foi um conto que não achei que começasse muito bem, mas que o desenrolar e a escrita cativou. Um conto que foi bem mais trabalhado que os outros, está bem conseguido a nível de escrita. Falha num final óbvio e de localizarem a acção... em Lisboa.

terça-feira, 28 de julho de 2009

Dias Tranquilos de Clichy



Dias tranquilos em Clichy
Henry Miller


Antes de pegarem num livro do Henry Miller devem ter uma ideia do que terão pela frente. Sexo, sexo e muitos palavrões. Se por vezes sentirem alguma repulsa a este tipo de escrita então não devem pegar nos livros deles. Claro que ele não escreveu só livros eróticos/pornográficos, mas não é o caso do Dias tranquilos em Clichy.


"Seu estilo é caracterizado pela mistura de autobiografia com ficção. Muitas vezes lembrado como escritor pornográfico, escreveu também livros de viagem e ensaios sobre literatura e arte."


Pessoalmente não tenho nenhum problema, antes pelo contrário, gosto da escrita do Henry Miller a descrever todo o acto sexual. Consegue ser realista, fala-nos do sexo como sendo algo muito saudável e desejável. Ele gosta, isso não há duvidas, e neste livro autobiográfico dele, conheci um lado mais apaixonado do autor, alguém que ama tanto como gosta de se envolver sexualmente.
Alem de ser um livro muito directo está também bem escrito.

domingo, 26 de julho de 2009

Do Álbum de um Detective



Do Álbum de um Detective
Headon Hill



"Depois do estrondoso êxito popular das aventuras de Sherlock Holmes, muitos foram os autores que seguiram na estreia de Conan Doyle, (...). Um dos que mais se aproximou do mestre foi Sebastian Zambra, investigador especializado numa técnica a que Holmes só parece ter dado relevância, depois de se exilar no Sussex: a fotografia. Zambra vive em Londres (no Strand) e, em regra, é ele o narrador dos seus casos, todos eles pitorescos e solucionados a contento graças a raciocínios bem elaborados. Catorze anos antes de surgir o Dr. Thorndike – o mais célebre paradigma do “detective cientifico”, criado em 1907, por R. Austin Freeman -, Headon Hill (pseudónimo do escritor inglês Francis Edward Grainger) assume-se como pioneiro, ao criar um dos primeiros investigadores que recorrem a recentes avanços tecnológicos para obter ou fixar provas que permitam confundir o culpado e impedir que se furte ao justo castigo da malfeitoria cometida."


Uma leitura fácil e rápida, mas não menos interessante. O género de detective é muito diferente dos clássicos Mr. Holmes e Mr. Poirot. Sebastian Zambra é bastante mais simples e objectivo na resolução dos enigmas, segue as pistas de um modo directo e sem esconder o que anda a fazer. O livro é composto por vários contos, "O missal de iluminuras", "A mão decepada" e "O Fantasma de Miss Morrisson" são bons exemplos de como os policiais não precisam de ser quebra cabeças complicadíssimos.

Um livro médio mas de agradável leitura.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

O Planeta dos dragões


O Planeta dos dragões
Anne McCaffrey


Quero impressionar um dragão! Posso?

Como podem ver adorei O planeta dos dragões, toda a magia do livro leva-nos até outro planeta. O livro trata de um planeta - Pern - povoado pelos humanos (assim subentendi) como vários outros planetas foram povoados. Nesse planeta caem fios, fios esses vindo da Estrela vermelha que queimam tudo onde caem.
Os habitantes de Pern criam geneticamente dragões para ajudar a resolver esse problema, os dragões conseguem queimar os fios quando estes caem das alturas. Estes dragões tem várias características muito especiais, voam e conseguem queimar os fios, conseguem tele-transporta-se para onde e quando quiserem, usando o entre, e criam um laço único e inquebrável com o cavaleiro dele. A impressão é o momento alto do livro, os dragões ao saírem dos ovos escolhem o seu cavaleiro, para isso criam um laço telepático com o cavaleiro e a partir desse momento, ambos vivem um para o outro. Os dragões de Pern são inteligentes, fortes e muito bondosos. São animais nobres, sem dúvida.

É a partir desta premissa que Anne McCaffrey cria um livro fantástico e apaixonante, muito bem escrito e sem falhas na historia, tudo vai-se encaixando enquanto lemos esta fantástica obra.

Apaixonei-me pelas personagens do romance, Lessa a determinada cavaleira de Ramoth e F'lar o salvador de Pern -rei do Ninho, Bekka, a meiga e doce Brekke, e F'nor o corajoso e fiel irmão, Ramoth a , Mnementh e Cant. Fiquei intrigada com Ruth, o que será que acontecerá aquele pequeno dragão branco...



"A segunda passagem da Estrela Vermelha está iminente e, uma vez mais, os temidos Fios cairão."



Nota: Os 3 livros editados pelos Livros do Brasil reúnem os 2 livros da saga "Dragonriders of Pern" - Dragonflight (1968) e Dragonquest (1970).



quarta-feira, 15 de julho de 2009

The Devil's Foot



The Devil's Foot
Arthur Conan Doyle


Um dos contos em que Sherlock Holmes e o Dr. Watson se vêem envolvidos inesperadamente, não podendo recusar o pedido de ajuda perante um horrível crime tão misterioso como o que se apresenta.

Enquanto passavam férias na Cornualha, com ordens médicas de repouso absoluto para Holmes, três irmãos são encontrados num cenário macabro sentados a uma mesa, a mulher encontrada morta com o rosto desfigurado pelo terror, e os dois irmãos sentados à mesa da sala a cantar e a rir, tendo perdido a lucidez.

A sala estava trancada e a ultima pessoa que esteve com eles deixou-os bem dispostos a jogar cartas.

Sherlock Holmes encontra-se perante um enigma desafiante para o qual não tem indícios suficientes. Algo terá de acontecer, para Holmes descobrir quem cometeu este crime.

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quinta-feira, 9 de julho de 2009

O signo dos quatro


O signo dos quatro
Arthur Conan Doyle


Para mim ler um Sherlock Holmes, é sempre uma maravilhosa descoberta de novos pormenores. Com mais uns aninhos desde que li pela primeira vez O signo dos quatro, saboreei e construí um pouco mais a complexa personagem que é o Sherlock Holmes.

Redescobri que Sherlock Holmes é fluente em Alemão e Francês. Notei também que há uma evolução da personagem do primeiro para o segundo livro. No primeiro Sherlock Holmes é nos descrito como alguém que não liga para literatura, para a política ou para cultura geral, pois seria informação desnecessária para aquilo que interessa ao Holmes. Como o próprio Holmes explica, não devemos ocupar espaço desnecessário no precioso sótão que temos. Neste segundo livro, Sherlock Holmes cita por várias vezes autores clássicos. Holmes está mais conversador, ao contrário do que é habitual. Vai explicando a Watson o que vai descobrindo. Dr. Watson arranjou esposa, o safado.


Sobre a historia, uma jovem pede auxilio a Sherlock Holmes quando recebe uma carta misteriosa a pedir um encontro secreto onde se pode fazer acompanhar por 2 amigos. Na vida a jovem vários acontecimentos estranhos têm ocorrido. O pai desaparece em circunstâncias estranhas. A jovem recebe, após o falecimento do pai, uma pérola valiosa todos os anos pela mesma data.

sábado, 27 de junho de 2009

O amor nos tempos de cólera


O amor nos tempos de cólera
Gabriel García Márques

Fabuloso. Um livro que me encantou na recta final. O amor nos tempos de cólera é um livro de acção lenta, podendo compara-lo a um bom vinho tinto. É preciso saborear o livro e as personagens.

O livro trata do eterno amor de Florentino Ariza por Fermina Daza, estes apaixonam-se na sua juventude, no entanto não se podendo casar, ficam meio século separados.

Cinquenta anos volvidos, no dia em que o marido de Fermina morre, logo após o funeral, Florentino, volta a dirigir-se a ela:




"- Fermina - disse-lhe. - Esperei esta ocasião durante mais de meio século, para repetir-lhe uma vez mais o juramento da minha fidelidade eterna e do meu amor para sempre."

É deste modo surpreendente que ficamos a saber a história logo no início, tal como em "Crónica de Uma Morte Anunciada", Gabriel García Márques dá inicio a uma das mais belas histórias que já li. Não por se tratar de uma história de amor, pois não se trata bem disso, mas sim pelas personagens. É realmente muito difícil encontrar personagens tão reais e densas nos livros que vamos lendo. A maioria das personagens ou heróis não se aproximam de pessoas reais, ou não tem realmente uma vida real, ou simplesmente não nos é mostrado uma personagem credível e completa.

Neste romance destaca-se, a complexidade das personagens, além da caracterização fria e crua da maioria dos países da América do Sul, com a imensa pobreza, prostituição e doenças que abundam, sem contudo deixar de ser um livro intensamente comovente.