domingo, 20 de abril de 2008

O estranho mundo de Garp


O estranho mundo de Garp
John Irving

O livro é acerca de Garp e do seu mundo, literalmente. Este decide tornar-se escritor e recebe todo o apoio da mãe. Esta por sua vez torna-se numa best-seller e numa feminista seguida e idolatrada. Garp é incapaz de atingir o mesmo sucesso da mãe com os seus "bons" livros. A sua mãe vive atormentada pela lascívia e pelos males desta na sociedade.

O livro está cheio de pequenas historias que dão toda a beleza ao livro. Mas são as historias menores que são a verdadeira essência do livro. As personagens (secundárias) que vamos encontrando, fazem-nos rir até a exaustão, ou levam-nos às lágrimas sem grande dificuldade. Garp vive a vida de um modo especial, um dia de cada vez, protegendo os que ama. É no entanto incapaz de evitar o sofrimento destes, o que muito o frustra.

Ponto fulcral do livro é o "acidente" de carro que envolve toda a família. Neste ponto o autor doseia a dor, o sofrimento e a compaixão de uma maneira perfeita, levando o leitor a desesperar. Após este ponto é notória a viragem que se dá no livro e conseguimos aperceber-nos que a partir desse momento entramos na recta final.

Um livro que recomendo (antes de ver o filme).

quarta-feira, 26 de março de 2008

Maigret e a morte do perna-de-pau


Maigret e a morte do perna-de-pau
Georges Simenon

Maigret tem um estilo muito próprio, calmo e pachorrento. Sem pressas e gosta muito de um copinho, normalmente domina a situação e lida muito bem com os adversários. Mas por vezes encontra umas personagens irritantes pelo caminho como neste caso a pequena Adèle. Jovem, muito imbecil e com "ares de importante" vai fazendo a vida negra ao detective, enquanto este tenta descobrir quem assassinou o velho Perna-de-pau.

sábado, 15 de março de 2008

Maigret e o caso do ministro


Maigret e o caso do ministro
Georges Simenon

Nada melhor do que um policial para esquecer um mau livro. Simenon não desilude, desta vez com uma intriga politica que tenta denegrir a imagem do nosso querido "patrão" de meia idade, com o seu incontornável cachimbo. Como sempre Maigret adopta o seu estilo habitual que consiste em andar, escutar e olhar, concluindo por fim que os azares acontecem aos melhores.

quarta-feira, 12 de março de 2008

Encontros de amor num país em guerra


Encontros de amor num país em guerra
Luis Sepúleda

Este foi um daqueles livros que me custou a ler, ou melhor a acabar. Não é um livro que nos prenda. As pequenas historias, ou melhor contos que o autor agrupou sem grande critério. Com uma, ainda que não muito dura selecção, na escolha dos contos em vez de editar tudo o que encontrou, poderia ter escrito um belo livro. Claro que alguns dos contos são bons. Apresenta-nos uma mistura (ou será mistela?) de temas para todos os gostos, "A aventura e a política, o amor e a guerra, a viagem e a utopia, a ironia e o mistério: todo o mundo do autor..." Não ganha nada com isso.

O livro encontra-se dividido em quatro partes:
Amores e Desamores, Heróis e Canalhas, Imprevistos e Uma outra porta do céu. Durante a leitura, lembramo-nos de Allende e de Garcia Marques. Quer pelos pequenos delírios, quer pelas referências a guerras.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

A instrumentalina e outros contos


A instrumentalina e outros contos

Lídia Jorge

Nunca tinha lido nada da Lídia Jorge e decidi arriscar. Dela apenas me tinham falado de "O dia dos prodígios", como sendo uma obra excepcional. Adoro contos e espero sempre muito deles. Neste caso temos um conjunto de 7 contos, dos quais me agrada um, considero outro engraçado e sendo-me os restantes indiferentes.


Começando pelo que gostei mais, "Marido", é um conto cruel. É a melhor descrição possível, cruel. Lembrou-me de imediato "
O Homem que Odiava a Chuva e Outras Estórias Perversas" de Guilherme de Melo, outro livro de contos que li o ano passado, esse sim muito bom. Duma "malvadez" doentia quase.

O conto é um monologo de uma mulher humilde, com baixo nível de escolaridade e muita crença religiosa, e por aí é bem conseguído. Desde o inicio que consegue-se antever o fim da historia, contudo temos a pequena esperança que a desgraça não aconteça. Mauzinho, mas infelizmente, muito realista. Conseguimos imaginar passo a passo, como se estivesse a acontecer na casa ao lado. É um dos contos que vale a pena ler, pelo menos diferente é.


Depois temos
"O conto do Nadador", que está engraçado. Descreve "a mulher de antigamente", numa praia movimentada, no pico do verão dos anos 50. Não é excepcional, não nos deixa pensativos, mas sempre é agradável de ler, o que hoje em dia já é alguma coisa.

Os restantes, são simplesmente textos. Bem para já não pego em mais nada dela.