terça-feira, 6 de setembro de 2011

A Biblioteca de Zoran Živković




O que se passa com A Biblioteca de Zoran Živković é que ficamos perante um problema de gestão de expectativas, plantado pela Cavalo de Ferro quando esta opta por transcrever uma parte de uma crítica do The New York Times Book Review que remete a obra para um patamar superior.  

A Biblioteca é uma interessante colectânea de contos (estranhamente ganhou o World Fantasy Award, em 2003, na categoria de novela), mas está longe de ser uma obra-prima ao nível da obra de J. L. Borges. Os seis contos que a constituem tem a mesma estrutura circular que os de Borges e em muito vão beber na relação que o mestre argentino tinha com os livros e as bibliotecas, mas morrem aí as similitudes. 

 

São seis bibliotecas: virtual, particular, nocturna, infernal, minimal e requintada que nos vão sendo descritas, contadas e vividas e na verdade acabam por nos ficar próximas, mas não tão próximas como deviam, pois algum tempo volvido o que resta delas é um esbatida memória do que nos foi contado. 

 

Para que a surpresa e quem sabe algum deslumbre se não perca, não me irei estender sobre os universos que povoam cada conto, mas não deixarei de apresentar uma alternativa ao desfecho do último de modo a o tornar mais coerente. Assim, de forma a fugir ao trivial, este assomo bibliofágico, A Biblioteca Requintada, teria de ter um desfecho em que o livro desaparecia depois de iniciada a sua leitura, demonstrando-se assim a sua inferioridade ou encadernando-o de modo a lhe atribuir “nobreza” necessária, desaparecendo este depois de ter sido transformado. Este acto de bibliofagia lembra-me demasiado a querida ratazana Firmin ou as degustações de Ratatui que apesar de me terem agradado imenso, me surgem aqui disparatadas.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Expiação


Autor: Ian McEwan

Edição/reimpressão: 2007

Páginas: 420

Editor: Gradiva

ISBN: 9789726628224


Com este romance, o conceituado escritor Britânico Ian McEwan recebeu os prémios US National Book Critics Circle 2002 e WH Smith 2002 para o melhor livro de ficção.

A ação tem início no Verão de 1935, em Inglaterra. Briony Tallis, uma adolescente com uma imaginação prodigiosa, espera ansiosamente o regresso a casa do seu irmão Leon. Na casa da família Tallis encontram-se também Cecilia, a filha mais velha dos Tallis; Paul Marshall, amigo de Leon; Robbie, o filho de uma criada, recém-chegado de Cambridge onde esteve a estudar a expensas do senhor da casa. Esse Verão ficará gravado na memória de Briony, Cecilia e Robbie, pelos piores motivos, fazendo com que as suas vidas fiquem para sempre interligadas.

A imaginação de Briony revela-se de grande importância para o desenrolar da narrativa, a partir do momento em que esta vivencia determinados acontecimentos, à luz de algo de que é testemunha no jardim dos Tallis, influenciando desse modo as vidas de todos os que a rodeiam, e a sua própria vida.

Partindo desse Verão, acompanhamos as personagens no período imediatamente anterior à Segunda Guerra Mundial, bem como ao longo de todo o conflito, e para além dele.

Eis um romance sobre a adolescência, sobre a guerra, sobre os medos e a necessidade de os ultrapassar, sobre as relações entre classes na Inglaterra da primeira metade do século XX, sobre a culpa e a necessidade de expiar essa mesma culpa e de ser absolvido.

Para ler sem pressas e com muita concentração, mesmo porque o final consegue ser bastante surpreendente…

domingo, 4 de setembro de 2011

O Jardim das Sombras


Autor: Mark Mills
Data de Publicação: Agosto de 2008
Editora: Civilização Editora
Páginas: 314
ISBN: 978-972-26-2635-4

O encantador jardim renascentista de uma villa italiana esconde um mistério. O passado e o presente encontram-se em duas histórias de amor, vingança e assassinato separadas no tempo 400 anos…

O jardim da Villa Docci, no coração da Toscana, dedicado à memória da jovem esposa de um nobre do século XV, é um mundo misterioso de estátuas, grutas, trilhos serpenteantes e epígrafes clássicas, que poderão ocultar uma mensagem secreta. O jovem Adam Strickland, da Universidade de Cambridge, parece ser a pessoa certa para decifrar o mistério. Viaja para a Itália e conhece a família Docci, tão sedutora como a villa que habita e o respectivo jardim. Mas a Itália do pós-guerra ainda é um local estranho e perigoso, e os Docci parecem esconder alguns esqueletos no armário… Será que uma nova tragédia irá ter lugar na amaldiçoada Villa Docci?


Bem comprei este livro pela sinopse que me chamou a atenção, mas confesso que se não fosse por causa de efectuar uma troca de livros o tinha deixado a meio, visto que se estava a mostrar enfastiante, sempre com a mesma coisa a acontecer jantares atrás de almoços e festas, quando o mistério deo jardim estava por descobrir e todo o intrincado de mistério que envolvia o crime passado dentro da Villa.
Mas ainda bem que o acabei pois apartir de uma certa parte tudo começa a ficar cada vez mais misterioso, e começam a cair pontas soltas que se vão ligando e deixando os intervenientes da trama a mostrarem quem realmente são, mas confesso que mesmo assim o carácter dona senhora Docci deixa ainda muita coisa como que a pairar, fiquei com a sensação que a história não acaba ali.
Para quem gosta de um bom quebra cabeça e de mistérios que parecem não ter fim tem aqui uma óptima escolha.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

A Caverna

Autor: José Saramago

Edição/reimpressão: 2000

Páginas: 352

Editor: Editorial Caminho

ISBN: 9789722113663

Coleção: Obras de José Saramago



Neste livro tudo gira à volta de uma olaria tradicional, que se esforça por sobreviver, quando o seu mercado se reduz a um grande centro comercial, que progressivamente se descarta dos seus produtos. O oleiro Cipriano Algor e a sua filha Marta tentam remar contra a maré e sobreviver às investidas do Centro, que os alicia com todas as suas maravilhas, enquanto tenta retirar-lhes tudo aquilo com que sempre conviveram. Será que conseguem resistir à força do progresso?

Os livros de José Saramago são, por vezes, considerados de difícil leitura. Pois, esta obra deixa-se ler com relativa facilidade, talvez porque trata de aspectos muito presentes no mundo de hoje: a lenta morte do comércio tradicional que não se consegue adaptar à proliferação de grandes superfícies; a incapacidade do indivíduo reagir à pressão de grupos fortes, que fazem com que o caminho para o desemprego seja também o caminho para a perda gradual de liberdade e de sentido para a vida.

Mas a narrativa não se esgota nestes temas. Lida também com a capacidade que qualquer pessoa tem de se manter útil, à medida que vai envelhecendo; com a energia que faz com que, nos piores momentos, os indivíduos superem as suas dificuldades; com o desejo que temos de nos sentirmos acompanhados e “vivos”, nas diversas etapas das nossas vidas.

Compete a cada leitor, à medida que vai lendo esta obra, descobrir a tal caverna que lhe dá título…

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

O Dom I


Autor: Alison Croggon
Data de Publicação: Julho de 2009
Editora: Bertrand Editora
Páginas: 212
ISBN: 978-972-25-1900-7

O primeiro livro da saga Crónicas de Pellinor, intitulado O Dom, conta-nos a história de uma criança que perde os pais na guerra de Pellinor. Maerad, a criança, vem a descobrir que tem um maravilho Dom, mas não sabe o que fazer com ele. Só quando é descoberta por Cadvan, um dos grandes bardos de lirigion, a verdade da sua herança é revelada e Maerad saberá que tem de sobreviver às forças das trevas.


Bem de início achei o livro um pouco estranho e sem graça nenhuma, mas há medida que a narrativa foi evoluindo tudo mudou.
É deveras emocionante, cheio de aventuras e quando da-mos por nós já estamos literalmente presos, cheios de vontade de saber mais, mas não sei porque raio dividiram o livro em dois volumes visto o primeiro volume ser tão pequeno e quando a história atinge aquele ponto em que fica deveras intrigante o livro acaba, deixando um grande pesar para além que como eu não tem o segundo volume.
Recomendo vivamente.