quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Crime no Expresso do Oriente


Crime no Expresso do Oriente
Agatha Christie

Li em nova os livros todos do Sherlock Holmes, e nunca fui muito fá do belga, baixo, com bigode e muito arrogante. Da Agatha Christie sempre preferi a simpática Mrs. Marple. Mas como recentemente comprei o Crime no Expresso do Oriente por 2 euros, decidi ler uma das mais conhecidas obras do Mr. Hercule Poirot.

Surpreendentemente gostei do nosso caro Hercule Poirot. Já começa a ser difícil encontrar bons policiais que nos consigam surpreender e agradar. A história do assassinato de um americano mal encarado a meio da noite, está muito bem elaborada e enrolada. Para quem lê Policiais desde os 13anos e já conhece as artimanhas facilmente começa a entender para onde nos leva a escritora... Os indícios são muitos, e como já é usual, os pequenos pormenores são os que não nos podem escapar... Como tal, o simples facto do comboio estar lotado naquela altura do ano, é para mim o indicio maior.

Mr. Hercule Poirot não se engana, não tem nenhum deslize e é metódico! Com ele está um médico e o seu amigo de longa data que o acompanham durante a investigação fazendo o papel de simples distraídos. Nem todas as personagens tem o mesmo equilíbrio, nem todas as obras podem ser brilhantes. Surgem indícios de mais, provas em demasia e todas muito confusas. O livro está bem e recomenda-se.

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Ensaio sobre a cegueira



Ensaio sobre a cegueira
José Saramago

Decidi ler este livro do Saramago mais por causa da publicidade que o filme tem tido, que pelo interesse que o autor me provoca e como o trailer me pareceu interessante, peguei então no livro. Devo dizer que o escritor nunca me impressionou muito, bem pelo contrário. Sempre me pareceu não saber pontuar. À uns tempo tentei ler o Homem Duplicado e não passei do segundo capítulo, o que não abona muito a favor dele, visto eu ser bastante "resistente" como leitora.

O livro em causa está escrito com bastante arrogância, explicando o que não precisa de ser explicado, como se o leitor fosse muito básico. O tipo de escrita não impressiona, muda o tipo de discurso constantemente sem que o saiba fazer. A pontuação continua a não ser abundante e a pouca que existe não é bem utilizada, os diálogos são em texto corrido... qual a necessidade do mesmo não sei. "É um estilo", até o pode ser, mas é um mau estilo.

O tema do livro consiste numa nova epidemia que emerge do nada, tornando aos poucos todas as pessoas cegas. No meio persiste a visão de uma mulher, "a mulher do médico". Esta continua a ver e acompanha o marido para todo o lado, ajudando este no que precisa. O mundo torna-se rapidamente numa coisa horrível em que todos tem medo de cegar. Todos os que que tem contacto com um cego, ficam repentinamente cegos. Os cegos são postos de quarentena e são deixados à sua sorte. A lei do mais forte entra rapidamente em vigor e as atrocidades sucedem-se.

A fome, a falta de condições, as violações e os massacres são os temas em que Saramago insiste constantemente durante todo o desenrolar da trama. Insiste com tal abundância na ideia dos corpos em decomposição no meio das ruas, nos excrementos e na sujidade que por todo o lado se espalha, que foi necessário passar parágrafos à frente, de cansada que já estava de ler sempre o mesmo...

O final do livro não foi bem conseguido, pois o escritor não consegue sustentar a historia, não consegue explicar, ou dar um sentido ao livro. Como aparece, também desaparece a epidemia, e todos voltam a ver. Como não foi conseguido passar a quem lê, o sentido do livro, Saramago acaba o livro a explicar: " Por que foi que cegámos, Não sei, talvez um dia se chegue a conhecer a razão, Queres que te diga o que penso, Diz, Penso que não cegámos, penso que estamos cegos, Cegos que vêem, Cegos que, vendo, não vêem."

Transcrevi na integra para sofrerem um pouco.

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Crónicas do Tempo


Crónicas do Tempo
Vera Lagoa (a falta que ela faz ao jornalismo e à Democracia portuguesa...)

Lindo! Recomendo vivamente! É assim que terei de começar esta minha revisão sobre o ultimo livro que li. Mais direi, belo, belissímio, fantástico! Ah! Que falta que uma verdadeira senhora, com os "ditos" bem no sitio, nos faz neste momento de crise (Crise esta em que nos encontramos a cerca de 2 anos).
Não, não farei comentários políticos! Vou esforçar-me muito para tal, mas vou hoje apenas falar sobre o Crónicas do Tempo.

Escrito em 1975/76, período histórico já por si agitado, foi baseado nas crónicas sociais de Vera Lagoa, no Diário Popular, com a coluna «Bisbilhotices» e também do semanário Tempo. Dirigiu corajosa e estoicamente o semanário «O Diabo», cujo primeiro-número apareceu nas bancas em 10 de Fevereiro de 1976. Sob a «Lei de Imprensa» em impositivo vigor, «O Diabo» foi suspenso pelo Conselho da Revolução, considerando que Vera Lagoa atacou num dado artigo violenta e inadmissilvelmente o presidente da República.
A Senhora criticava e atacava, a torto e a direito, nos políticos activos que não se inseriam na linha do seu pensamento político, frente à situação de Portugal do momento, nos novos ricos, nos retornados... A sua coragem era de louvar, fazia frente a políticos que, num Portugal com uma boa parte da população analfabeta, se movimentavam na procura do poder.


biografia


quarta-feira, 4 de junho de 2008

Tal mãe tais filhas


Tal mãe tais filhas
Pierre
Louÿs


Aqui está um livro que me deixa sem palavras para o descrever... isto para não utilizar palavrões no blog.

Comecemos por descreve-lo como um livro pornográfico. Sim, não é um livro erótico, nem ligeiramente "picante" é simplesmente pornográfico. Muito descritivo, sem se cortar nas asneiras, nem nos palavrões, vai completamente a direito, sobre quem, como e onde. Não posso negar que está bem descrito. Em certos momentos o autor consegue até ser bastante sensual e excitante, mas no parágrafo seguinte consegue ser horrendo e nojento. O autor joga com estes opostos, entre a repulsa e o desejo do leitor. Abrindo o livro ao calhas encontra-se com 99% de certeza uma descrição... de um acto sexual (fica mais bonito assim).

Para ficarem com uma ideia, o livro começa com o narrador a dar uns apalpões e um beijos a uma miúda de 14 anos nas escadas do prédio, de seguida leva-a para o seu apartamento (nunca contra vontade dela) e começa o "contacto" com a mãe e as filhas.
Diverte-se então com a pequena
Mauricette de 14 anos, sai e vem de seguida a mãe, Teresa nos seus 36 anos, que lhe manda de seguida a sua filha mais nova, Lili nos seus 10 anos. Pela noite vem Charlotte de 20 anos. O narrador vai descrevendo as diversões em que se mete com as 4. Em comum as 4 têm o facto de serem prostitutas, inicializadas na "arte" pela mãe pelos 8 anos e todas apenas gostam de sexo anal.

Como se pode ver é de fugir. E nesta pequeno resume, eu suavizei muito os termos como podem imaginar.

Nada deixa a dever ao Henry Miller no Opus
Pistorum, sendo às vezes até mais agradável de ler.

Nota: Depois deste livro, tive alguma curiosidade sobre o autor, farei então a partir deste livro uma pequena nota biográfica, para se poder perceber um pouco mais sobre os autores.

Nota Biográfica de Pierre Louÿs

Nota Biográfica de Pierre Louÿs

"... poeta, romancista e contista francês, chamava-se Pierre Félix Louis nasceu em Bélgica a 10 de Dezembro de 1870. A mãe era neta de Louise Junot, irmã do duque de Abrantes e do Dr. Sabatier, médico de Napoleão e um dos fundadores do prestigioso Instituto de França, composto de cinco classes, entre as quais a célebre Academia Francesa.

Depois de ter seguido, até à Retórica, os cursos da Escola Alsaciana, foi frequentar Filosofia para o Licei Janson-de-Sailly. Quando já se encontrava no Licei Henri IV, firmou amizade com André Gide (prémio Nobel de literatura de 1947) e escreveu as primeiras estrofes românticas e sensuais.
Depois em Montpellier, relacionou-se com Paul Valéry, por quem nutriu uma admiração profunda; a pensar nele, fundou
La Conque, pequena revista luxuosa destinada a acolher poesia muito grande."

Casa em 1899, casamento este que dura 15 anos. Conheceu pessoalmente Stéphane Mallarmé, Oscar Wilde, José Maria de Hérédia, François Coppée, etc. Morre por doença em 1925.

"A erudição sólida de Pierre Louÿs e o seu génio instintivo de mistificador alcançaram (...) uma desforra sensacional com a publicação de
Les Chansons de Bilitis, numa tiragem de apenas de 500 exemplares para bibliófilos que, todos eles e toda a crítica, a receberam como uma indiscutível obra-prima desconhecida da bela cortesã Bilitis, a quem a imortal Safo iniciara em Lesbos «na arte de cantar em frases rítmicas» e também nas cerimónias amorosas indispensáveis a una saúde perfeita! Hoje é considerado «um dos mais felizes espécimes de poemas em prosa jamais concebidos na língua francesa»."

Entre as suas obras destacam-se La Femme et le Pantin, "que foi a obra que melhor resistiu à evolução dos gostos", obra esta que foi adaptada ao cinema: The Devil is a Woman, 1935 - Josef von Sternberg; La Femme et le Pantin, 1958 - com Brigitte Bardot, de Julien Duvivier; Cet Obscur Objet du Désir, 1977, com a «mulher» repartida entre Carole Bouquet e Angela Molina, realizado por Luis Buñuel.

Les Aventures du Roi Paulose (1901), Sanguines, Pervigilium Mortis e o romance Psyché (1927) terminam o grupo de obras de Pierre Louÿs assinaladas em todos os compêndios literários de uso corrente.