quinta-feira, 29 de maio de 2008

As sombras dos dias


A sombra dos dias
Guilherme de Melo

Por falta de conhecimento na área, não poderei dizer que este se trata do melhor livro sobre homossexualidade, no entanto, sem sombra para dúvidas, aborda o tema magistralmente, sendo por si só um grande livro.

O título está muito bem conseguido, o início do livro dá-se no meio de um intriga entre a personagem principal e o namorado, o que induz desde logo a curiosidade e a vontade de acompanhar o desenlace dos acontecimentos.

O livro se não é, parece muito autobiográfico. Tal como o autor, a personagem Gui (Guilherme talvez? ) nasce em Moçambique torna-se jornalista profissional e assume perante a sociedade a sua homossexualidade. A personagem passa alguns momentos caricatos durante o romance. Casa-se expondo à noiva as suas recentes descobertas. Aceita anos depois o divórcio com naturalidade assumindo-o como algo inevitável. Torna-se uma personagem respeitada na sociedade branca de Lourenço Marques, consegue impor os seus namoros, relações longas e fortuitas.

Guilherme de Melo expõe de um modo muito directo e simples o mundo e os meios em que se gira sendo homossexual. Pelo meio o autor nunca deixa de parte a altura conturbada de guerra colonial, os problemas raciais e por fim o eclodir da fuga em massa dos colonos.

Editado pelo Circulo de Leitores em 1981 com uma primeira edição de 3000 exemplares, é
um grande romance, sobre um tema ainda hoje muito controverso.

domingo, 20 de abril de 2008

O estranho mundo de Garp


O estranho mundo de Garp
John Irving

O livro é acerca de Garp e do seu mundo, literalmente. Este decide tornar-se escritor e recebe todo o apoio da mãe. Esta por sua vez torna-se numa best-seller e numa feminista seguida e idolatrada. Garp é incapaz de atingir o mesmo sucesso da mãe com os seus "bons" livros. A sua mãe vive atormentada pela lascívia e pelos males desta na sociedade.

O livro está cheio de pequenas historias que dão toda a beleza ao livro. Mas são as historias menores que são a verdadeira essência do livro. As personagens (secundárias) que vamos encontrando, fazem-nos rir até a exaustão, ou levam-nos às lágrimas sem grande dificuldade. Garp vive a vida de um modo especial, um dia de cada vez, protegendo os que ama. É no entanto incapaz de evitar o sofrimento destes, o que muito o frustra.

Ponto fulcral do livro é o "acidente" de carro que envolve toda a família. Neste ponto o autor doseia a dor, o sofrimento e a compaixão de uma maneira perfeita, levando o leitor a desesperar. Após este ponto é notória a viragem que se dá no livro e conseguimos aperceber-nos que a partir desse momento entramos na recta final.

Um livro que recomendo (antes de ver o filme).

quarta-feira, 26 de março de 2008

Maigret e a morte do perna-de-pau


Maigret e a morte do perna-de-pau
Georges Simenon

Maigret tem um estilo muito próprio, calmo e pachorrento. Sem pressas e gosta muito de um copinho, normalmente domina a situação e lida muito bem com os adversários. Mas por vezes encontra umas personagens irritantes pelo caminho como neste caso a pequena Adèle. Jovem, muito imbecil e com "ares de importante" vai fazendo a vida negra ao detective, enquanto este tenta descobrir quem assassinou o velho Perna-de-pau.

sábado, 15 de março de 2008

Maigret e o caso do ministro


Maigret e o caso do ministro
Georges Simenon

Nada melhor do que um policial para esquecer um mau livro. Simenon não desilude, desta vez com uma intriga politica que tenta denegrir a imagem do nosso querido "patrão" de meia idade, com o seu incontornável cachimbo. Como sempre Maigret adopta o seu estilo habitual que consiste em andar, escutar e olhar, concluindo por fim que os azares acontecem aos melhores.

quarta-feira, 12 de março de 2008

Encontros de amor num país em guerra


Encontros de amor num país em guerra
Luis Sepúleda

Este foi um daqueles livros que me custou a ler, ou melhor a acabar. Não é um livro que nos prenda. As pequenas historias, ou melhor contos que o autor agrupou sem grande critério. Com uma, ainda que não muito dura selecção, na escolha dos contos em vez de editar tudo o que encontrou, poderia ter escrito um belo livro. Claro que alguns dos contos são bons. Apresenta-nos uma mistura (ou será mistela?) de temas para todos os gostos, "A aventura e a política, o amor e a guerra, a viagem e a utopia, a ironia e o mistério: todo o mundo do autor..." Não ganha nada com isso.

O livro encontra-se dividido em quatro partes:
Amores e Desamores, Heróis e Canalhas, Imprevistos e Uma outra porta do céu. Durante a leitura, lembramo-nos de Allende e de Garcia Marques. Quer pelos pequenos delírios, quer pelas referências a guerras.