quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Crónicas do Tempo


Crónicas do Tempo
Vera Lagoa (a falta que ela faz ao jornalismo e à Democracia portuguesa...)

Lindo! Recomendo vivamente! É assim que terei de começar esta minha revisão sobre o ultimo livro que li. Mais direi, belo, belissímio, fantástico! Ah! Que falta que uma verdadeira senhora, com os "ditos" bem no sitio, nos faz neste momento de crise (Crise esta em que nos encontramos a cerca de 2 anos).
Não, não farei comentários políticos! Vou esforçar-me muito para tal, mas vou hoje apenas falar sobre o Crónicas do Tempo.

Escrito em 1975/76, período histórico já por si agitado, foi baseado nas crónicas sociais de Vera Lagoa, no Diário Popular, com a coluna «Bisbilhotices» e também do semanário Tempo. Dirigiu corajosa e estoicamente o semanário «O Diabo», cujo primeiro-número apareceu nas bancas em 10 de Fevereiro de 1976. Sob a «Lei de Imprensa» em impositivo vigor, «O Diabo» foi suspenso pelo Conselho da Revolução, considerando que Vera Lagoa atacou num dado artigo violenta e inadmissilvelmente o presidente da República.
A Senhora criticava e atacava, a torto e a direito, nos políticos activos que não se inseriam na linha do seu pensamento político, frente à situação de Portugal do momento, nos novos ricos, nos retornados... A sua coragem era de louvar, fazia frente a políticos que, num Portugal com uma boa parte da população analfabeta, se movimentavam na procura do poder.


biografia


quarta-feira, 4 de junho de 2008

Tal mãe tais filhas


Tal mãe tais filhas
Pierre
Louÿs


Aqui está um livro que me deixa sem palavras para o descrever... isto para não utilizar palavrões no blog.

Comecemos por descreve-lo como um livro pornográfico. Sim, não é um livro erótico, nem ligeiramente "picante" é simplesmente pornográfico. Muito descritivo, sem se cortar nas asneiras, nem nos palavrões, vai completamente a direito, sobre quem, como e onde. Não posso negar que está bem descrito. Em certos momentos o autor consegue até ser bastante sensual e excitante, mas no parágrafo seguinte consegue ser horrendo e nojento. O autor joga com estes opostos, entre a repulsa e o desejo do leitor. Abrindo o livro ao calhas encontra-se com 99% de certeza uma descrição... de um acto sexual (fica mais bonito assim).

Para ficarem com uma ideia, o livro começa com o narrador a dar uns apalpões e um beijos a uma miúda de 14 anos nas escadas do prédio, de seguida leva-a para o seu apartamento (nunca contra vontade dela) e começa o "contacto" com a mãe e as filhas.
Diverte-se então com a pequena
Mauricette de 14 anos, sai e vem de seguida a mãe, Teresa nos seus 36 anos, que lhe manda de seguida a sua filha mais nova, Lili nos seus 10 anos. Pela noite vem Charlotte de 20 anos. O narrador vai descrevendo as diversões em que se mete com as 4. Em comum as 4 têm o facto de serem prostitutas, inicializadas na "arte" pela mãe pelos 8 anos e todas apenas gostam de sexo anal.

Como se pode ver é de fugir. E nesta pequeno resume, eu suavizei muito os termos como podem imaginar.

Nada deixa a dever ao Henry Miller no Opus
Pistorum, sendo às vezes até mais agradável de ler.

Nota: Depois deste livro, tive alguma curiosidade sobre o autor, farei então a partir deste livro uma pequena nota biográfica, para se poder perceber um pouco mais sobre os autores.

Nota Biográfica de Pierre Louÿs

Nota Biográfica de Pierre Louÿs

"... poeta, romancista e contista francês, chamava-se Pierre Félix Louis nasceu em Bélgica a 10 de Dezembro de 1870. A mãe era neta de Louise Junot, irmã do duque de Abrantes e do Dr. Sabatier, médico de Napoleão e um dos fundadores do prestigioso Instituto de França, composto de cinco classes, entre as quais a célebre Academia Francesa.

Depois de ter seguido, até à Retórica, os cursos da Escola Alsaciana, foi frequentar Filosofia para o Licei Janson-de-Sailly. Quando já se encontrava no Licei Henri IV, firmou amizade com André Gide (prémio Nobel de literatura de 1947) e escreveu as primeiras estrofes românticas e sensuais.
Depois em Montpellier, relacionou-se com Paul Valéry, por quem nutriu uma admiração profunda; a pensar nele, fundou
La Conque, pequena revista luxuosa destinada a acolher poesia muito grande."

Casa em 1899, casamento este que dura 15 anos. Conheceu pessoalmente Stéphane Mallarmé, Oscar Wilde, José Maria de Hérédia, François Coppée, etc. Morre por doença em 1925.

"A erudição sólida de Pierre Louÿs e o seu génio instintivo de mistificador alcançaram (...) uma desforra sensacional com a publicação de
Les Chansons de Bilitis, numa tiragem de apenas de 500 exemplares para bibliófilos que, todos eles e toda a crítica, a receberam como uma indiscutível obra-prima desconhecida da bela cortesã Bilitis, a quem a imortal Safo iniciara em Lesbos «na arte de cantar em frases rítmicas» e também nas cerimónias amorosas indispensáveis a una saúde perfeita! Hoje é considerado «um dos mais felizes espécimes de poemas em prosa jamais concebidos na língua francesa»."

Entre as suas obras destacam-se La Femme et le Pantin, "que foi a obra que melhor resistiu à evolução dos gostos", obra esta que foi adaptada ao cinema: The Devil is a Woman, 1935 - Josef von Sternberg; La Femme et le Pantin, 1958 - com Brigitte Bardot, de Julien Duvivier; Cet Obscur Objet du Désir, 1977, com a «mulher» repartida entre Carole Bouquet e Angela Molina, realizado por Luis Buñuel.

Les Aventures du Roi Paulose (1901), Sanguines, Pervigilium Mortis e o romance Psyché (1927) terminam o grupo de obras de Pierre Louÿs assinaladas em todos os compêndios literários de uso corrente.



sexta-feira, 30 de maio de 2008

Crónica de uma morte anunciada


Crónica de uma morte anunciada
Gabriel García Márquez

Sobre este grande livro não há muito a dizer. Para resumir, li-o numa tarde. Cada um tem de ler este livro para ter a sua opinião. Penso que com o Gabriel García Márquez, os livros são mesmo assim, ou se gosta muito ou se detesta.

O livro é simples, numa aldeia colombiana longe de tudo, um rico jovem é assassinado. Vinte anos depois um dos amigos recorda a trágica madrugada em que Santiago Nasar caminha tranquilamente para a morte. Todos os que o cumprimentam pela manhãzinha sabem que dois irmãos juraram limpar a honra matando-o.

Nada mais há para contar, apenas o modo como é escrito que é realmente especial.

Um bom livro.

quinta-feira, 29 de maio de 2008

As sombras dos dias


A sombra dos dias
Guilherme de Melo

Por falta de conhecimento na área, não poderei dizer que este se trata do melhor livro sobre homossexualidade, no entanto, sem sombra para dúvidas, aborda o tema magistralmente, sendo por si só um grande livro.

O título está muito bem conseguido, o início do livro dá-se no meio de um intriga entre a personagem principal e o namorado, o que induz desde logo a curiosidade e a vontade de acompanhar o desenlace dos acontecimentos.

O livro se não é, parece muito autobiográfico. Tal como o autor, a personagem Gui (Guilherme talvez? ) nasce em Moçambique torna-se jornalista profissional e assume perante a sociedade a sua homossexualidade. A personagem passa alguns momentos caricatos durante o romance. Casa-se expondo à noiva as suas recentes descobertas. Aceita anos depois o divórcio com naturalidade assumindo-o como algo inevitável. Torna-se uma personagem respeitada na sociedade branca de Lourenço Marques, consegue impor os seus namoros, relações longas e fortuitas.

Guilherme de Melo expõe de um modo muito directo e simples o mundo e os meios em que se gira sendo homossexual. Pelo meio o autor nunca deixa de parte a altura conturbada de guerra colonial, os problemas raciais e por fim o eclodir da fuga em massa dos colonos.

Editado pelo Circulo de Leitores em 1981 com uma primeira edição de 3000 exemplares, é
um grande romance, sobre um tema ainda hoje muito controverso.