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sábado, 27 de outubro de 2012

Sobre ebooks: para ler e reflectir.

Sobre ebooks.


Muito se tem falado em ebooks, e-readers e afins e como usar, como se processam os empréstimos, se os mesmos são legais, se os ebooks e e-readers vão acabar com os livros, enfim um mar de perguntas e o mais das vezes de falta de respostas. Assim ficam aqui alguns extractos retirados de vários sites que estarão devidamente referenciados e de um blog que se dedica a esta problemática.

«Conforme explica o presidente da Fundação Biblioteca Nacional, Galeno Amorim, há duas linhas principais em estudo que se apresentam como possibilidades para implantação de uma biblioteca para empréstimo de e-books no Brasil. "Uma delas, que vigora na Europa e nos Estados Unidos, indica o empréstimo de livros que são baixados e, depois de alguns dias, desaparecem do suporte utilizado, fazendo com que termine o prazo de uso. A outra se daria por meio do ciberespaço, da chamada 'nuvem'. Dentro desse conceito, os livros ficariam em uma rede disponível a todos e o leitor não chega a baixar os arquivos. Neste caso, haveria a necessidade de pagar uma mensalidade para que o usuário acessasse as obras".»
(http://noticias.terra.com.br/educacao/noticias/0,,OI5378184-EI8266,00-Com+tablets+emprestimo+de+livros+virtuais+e+desafio+para+bibliotecas.html)


 «O autor então ganhou US$1,7 por cada livro alugado e mais o bônus dividido. E o release também informa que os autores auto-publicados – tanto os que participam do programa de empréstimo como os que apenas vendem seus livros – viram um aumento de 26% em suas vendas. Ou seja, ganhou todo mundo.»
(http://revolucaoebook.com.br/programa-de-emprestimo-de-ebooks-da-amazon-traz-bons-numeros/)


Sobre o empréstimo de ebooks.
(http://lerebooks.wordpress.com/tag/emprestimo-de-ebooks/)

segunda-feira, 28 de março de 2011

A Biblioteca


Autor: Zoran Zivkovic
Data de Publicação: 2010
Editora: Cavalo de Ferro
Páginas: 104
ISBN: 9789896231378

O que se passa com A Biblioteca de Zoran Živković é que ficamos perante um problema de gestão de expectativas, plantado pela Cavalo de Ferro quando esta opta por transcrever uma parte de uma crítica do The New York Times Book Review que remete a obra para um patamar superior. A Biblioteca é uma interessante colectânea de contos (estranhamente ganhou o World Fantasy Award em 2003, na categoria de novela), mas está longe de ser uma obra-prima ao nível da obra de J. L. Borges.

Os seis contos que a constituem tem a mesma estrutura circular que os de Borges e em muito vão beber na relação que o mestre argentino tinha com os livros e as bibliotecas, mas morrem aí as similitudes. São seis bibliotecas: virtual, particular, nocturna, infernal, minimal e requintada que nos vão sendo descritas, contadas e vividas e na verdade acabam por nos ficar próximas, mas não tão próximas como deviam, pois algum tempo volvido o que resta delas é um esbatida memória do que nos foi contado. Para que a surpresa e quem sabe algum deslumbre se não perca, não me irei estender sobre os universos que povoam cada conto, mas não deixarei de apresentar uma alternativa ao desfecho do último de modo a o tornar mais coerente. Assim, de forma a fugir ao trivial, este assomo bibliofágico, A Biblioteca Requintada, teria de ter um desfecho em que o livro desaparecia depois de iniciada a sua leitura, demonstrando-se assim a sua inferioridade ou encadernando-o de modo a lhe atribuir “nobreza” necessária, desaparecendo este depois de ter sido transformado. 

Este acto de bibliofagia lembra-me demasiado a querida ratazana Firmin ou as degustações de Ratatui que apesar de me terem agradado imenso me surgem aqui disparatadas.

terça-feira, 22 de março de 2011

História da Vida Privada em Portugal

Mais uma vez José Mattoso é o “culpado” pela existência de mais uma obra fundamental para a compreensão da história do nosso país. Trata-se desta feita da História da Vida Privada em Portugal, obra em quatro volumes, sendo cada um coordenado por um de quatro reputados historiadores: Vasconcelos e Sousa (A Idade Média), Nuno Gonçalo Monteiro (A Idade Moderna), Irene Vaquinhas (A Época Contemporânea) e Ana Nunes Almeida (Os Nossos Dias).

George Duby e Philippe Ariès tinham publicado em 1985 (Afrontamento 1990-1991) e Fernando A. Novais publicou em 1997, o primeiro volume da Historia da Vida Privada no Brasil, em quatro volumes (sendo os seguintes coordenados por: Luiz Felipe de Alencastro, 1997; Nicolau Sevcenko, 1998 e Lilia Moritz Schwarcz, 1998) que não teve ainda edição nacional, assim tardava a edição de uma obra de carácter nacional sobre a mesma temática, mas felizmente ano passado tal foi dada à estampa numa edição Temas e Debates/Círculo de Leitores.

Ficou assim colmatada mais uma brecha no estudo da história do nosso país. O conhecimento dos hábitos e relações entre o indivíduo, o grupo, as instituições e a sociedade em geral são abordados sobre uma infinidade de perspectivas e posicionamentos.

Quem quer entender como as coisas se passavam nas várias épocas analisadas, poderá agora faze-lo, isto sem esquecer que a informação que nos chega vem por via escrita e assim vem de algum modo vinculada às convicções e visão de quem as escreveu. De uma forma geral estará “inquinada” por uma “visão superior”. Esse é contudo um “problema” incontornável comum a todas as fontes escritas, sobretudo se reportadas a períodos em que apenas uma ínfima minoria dominava a escrita e mesmo dentre essa, apenas a que tinha meios para a transmitir.

Seja como for estamos perante uma obra maior e imprescindível para todos aqueles que se interessam pela passagem do homem através do tempo.

Para já apenas nos podemos deliciar com os dois volumes já publicados, mas os outros estão para breve.


terça-feira, 23 de junho de 2009

O Império dos Pardais

O Império dos Pardais
João Paulo Oliveira e Costa

O império dos pardais é um excelente romance histórico escrito por alguém da área, ou seja, o seu autor é um historiador. Normalmente este tipo de incursões de académicos na ficção não dá grandes resultados. Felizmente não foi este o caso. Nele somos atirados, literalmente atirados, para o meio da Lisboa manuelina, plena de pormenores de toda o tipo, chegando-nos o mais das vezes um conjunto de cheiros através da leitura. O risco de uma empreitada destas é o facto de o seu "feitor" ser um historiador pois por certo lhe foi extraordinariamente difícil dosear os dados históricos em detrimento da acção narrativa.

Neste romance o autor apresenta-nos uma história "paralela", onde a espionagem é a peça chave quer do enredo, quer do entorno histórico que o subjaz. As personagens estão muito bem definidas e coerentes, dando-lhes ele um cunho de grande verosimilhança. As personagens centrais Constança, mais tarde Violante, e seu mentor Vasco de Melo transformam a narração numa constante turbulência que não nos deixa pousar o livro. Um romance que se lê de um folgo.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Aristocrats in Bourgeois Italy: The Piedmontese Nobility




Aristocrats in Bourgeois Italy: The Piedmontese Nobility, 1861-1930
Cardoza, Anthony L.

Pareceu-me conveniente não falar apenas de obras de ficção. A leitura e os seus hábitos passam também pela leitura de outras obras como é o caso deste estudo sobre as relações da aristocracia na Itália burguesa por altura do Risorgimento Italiano. É um estudo de grande qualidade que nos deixa "ver" qual a correlação de forças neste período, assim como a mobilidade ou a sua inexistência no período estudado. Curioso é sobretudo verificar que sobre alguns aspectos a aristocracia do norte de Itália tem um conjunto de comportamentos e tiques similares ao da aristocracia portuguesa do período liberal. Uma obra fundamental para entender a Itália deste período.





Seria imperdoável não referir as duas excelentes obras de Nuno Gonçalo Monteiro, que vão do antigo regime ao liberalismo, sendo elas: "O Crepúsculo dos Grandes. A Casa e o Património da Aristocracia em Portugal (1750-1834)", "Elites e Poder. Entre o Antigo Regime e o Liberalismo" que nos dão uma panorâmica geral do comportamento da aristocracia portuguesa durante estes dois períodos e abordando aspectos específicos da mesma. Apresenta-nos nas duas obras um conjunto de elementos e dados, muitos deles pela primeira vez, que se mostram fundamentais para o entendimento de um conjunto de atitudes que são estruturantes na forma de estar e reagir e as consequências que daí advém. Para quem quiser entender melhor este período, tal como a obra de Cardoza, são fundamentais.