quinta-feira, 26 de julho de 2012

Uma noite em Lisboa

Uma noite em Lisboa

Autor: Erich Maria Remarque
Data de Publicação: 2011
Editora: Jornal Público/Edições Saída de Emergência
Páginas: 269
ISBN: 9789896821012


Sinopse

A Alemanha Nazi ocupava grande parte da Europa. Terra de todos e de ninguém devido ao jogo duplo de Salazar, Lisboa foi durante toda a guerra um território neutro. Num cenário de guerra e perseguição, tornou-se o paraíso à beira-mar plantado. Para além da sua beleza natural e da paz, foi uma das poucas portas de saída para os que desejavam uma oportunidade para construir uma nova vida do outro lado do Atlântico.


Depois… uma noite em Lisboa, quando um refugiado olha cobiçosamente para um transatlântico, um homem aproxima-se dele com dois bilhetes de embarque e uma história para contar. É uma história perturbante de coragem e traição, risco e morte. Onde o preço do amor vai para além do imaginável, e o legado do mal é infinito. À medida que a noite evolui, os dois homens e a própria cidade criam um laço que vai durar o resto das suas vidas…


Foi uma das melhores leituras deste ano (até ao momento claro). O livro passasse durante uma noite em Lisboa, enquanto esperam pela partida de um barco para os Estados Unidos da América. Schwarz oferece as suas passagens de barco em troca de ser ouvido por uma noite. Quer contar a sua história de refugiado, uma história de amor, e quer ser ouvido, quer preservar assim a memória do que aconteceu e de alguém.

O livro não tenta ser pretensioso, nem ser um testemunho anti-nazi ou anti-guerra, não tem um escrita complicada e trabalhada. Trata-se "apenas" de Schwarz, um judeu com passaporte falso que tem de fugir e abandonar tudo e todos para salvar a vida.

Um dos pontos que mais gostei neste livro, é o facto de termos boas descrições de Lisboa durante a Segunda Guerra Mundial, e do que Portugal representava para os judeus que conseguiam fugir. Os caminhos que os refugiados utilizavam, os medos e os perigos que passavam durante a fuga e de tudo o que era preciso fazer para sobreviver.

Pessoalmente é uma tema sobre o qual gosto de ler e acho que este livro foi uma belíssima aposta.

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Little Brother

Little Brother

Autor: Cory Doctorow
Data de Publicação: 2011
Editora: Editorial Presença
Páginas: 368
ISBN: 978-972-23-4513-2

Sinopse

Marcus é um adolescente de dezassete anos para quem a internet e as novas tecnologias não têm quaisquer segredos. Um dia ele e os amigos vêem-se no sítio errado à hora errada e são apanhados no rescaldo de um ataque terrorista em São Francisco. Levados pelo Departamento de Segurança Interna para uma prisão secreta, são interrogados dias a fio até serem libertados - todos menos um. Marcus está determinado a descobrir o que aconteceu ao amigo numa cidade em estado de sítio onde todos os cidadãos são tratados como potenciais terroristas. Isso deixa-lhe apenas uma opção: começar um jogo perigoso com o governo...


Prémios


Prometheus Award 2009
John W. Campbell Memorial Award 2009
Sunsurst Award 2009


Este foi o primeiro livro sugerido para o clube de leitura Bertrand do Porto, organizado mensalmente na Bertrand do Grand Plaza no Porto, penso eu no mês de Maio. Não conhecia o autor nem a obra e o título agradou-me por ser uma referencia explicita ao Big Brother do 1984 de George Orwell, livro este que eu adoro e que se encontra na minha lista de livros preferidos. Se parti para a leitura deste livro com altas expectativas, terminei-o com vontade de bater com ele na cabeça de alguém.

Para começar é um livro juvenil o que até não seria um problema se me tivessem feito essa nota antes de eu o começar a ler. Além de ser um livro para jovens é também um livro com personagens demasiado “cruas” e muito básicas exatamente para agradar a um público mais jovem. É um livro cheio de acção como será de esperar, mas ao mesmo tempo, é contraditório por ser muito informativo a nível de tecnologias, descrições de sistemas informáticos e sistemas de segurança (criptografia, chave pública e chave privada, etc.). Chega mesmo a explicar a lógica por trás dos sistemas de segurança ao pormenor. O que não considero nem um pouco lógico, é por um lado ter uma escrita básica e personagens simples e por outro ter descrições pormenorizadas de criptografia. Em vários momentos fiquei convencida que o autor estava era a doutrinar o leitor para usar criptografia.

De resto, o livro baseia-se num “9 de Setembro” desta vez em San Francisco, onde um grupo de miúdos que, por se encontrar na zona do atentado, é interrogada por vários dias. A segurança interna ganha poder com o atentado e passa a ser inquestionável, um pouco à imagem do que se passou nos EUA após o atentado do 9 de Setembro. A personagem principal – Marcus, revolta-se com a situação de perder a liberdade de expressão, a liberdade de poder ir onde quiser sem que a segurança interna o interrogue sobre os estranhos padrões que detectaram no uso do passe, ou o porquê de ter estado fora de casa até tão tarde. Marcus sente-se especialmente obcecado com o facto de todo o tráfego de internet ser vigiado pela segurança interna. Assim, de obstáculo em obstáculo, a personagem tenta ultrapassar cada medida de segurança que o afasta da sua liberdade.

Como já referi as personagens são muito elementares e a história gira em volta de um grupo de miúdos. Os adultos são todos um grupo de imbecis na óptica da personagem, assim como todos os problemas são resolvidos apenas por si.

Um livro que não achei interessante e também achei uma escolha infeliz para o clube de leitura. Para além do referido este é um livro que só muito marginalmente se pode enquadrar no género pretendido.

terça-feira, 24 de julho de 2012

Em espera (Agosto)

Julho
12) Uma noite em Lisboa - Erich Maria Remarque [9/10]
13) Matadouro 5 ou A Cruzada das Crianças - Kurt Vonnegut [9/10]
14) Eu sou a lenda - Richard Matheson [7/10]
15) Os Jogos da Fome - Suzanne Collins [8/10]

Julho foi um bom mês de leituras. Consegui ler os 3 livros a que me propus e fiquei contente com a qualidade dos mesmos. Aliás pelas "notas" dá para ver que foi um bom mês. Como melhor livro destaco claramente o Matadouro 5. Nestes 5 dias que faltam, provavelmente ainda termino mais algum.


Para Agosto tenho uma lista ambiciosa e interessante. Vou começar por ler uma obra dos Irmãos Grimm — Children's and Household Tales. Provavelmente em eBook, são contos e parece-me que será um leitura leve e rápida. Não encontrei cá por casa nenhuma edição desta obra, por isso terá de servir.

De seguida irei ler Alice no País das Maravilhas e Alice do outro lado do espelho ambos de Lewis Carroll. Arranjei as edições da Europa-América em livro de bolso, com ilustrações originais e adorei as capas. Além disso tem um preço bem simpático.




Tenho de ler o Bons Augúrios de Neil Gaiman e Terry Pratchett para o Clube de Leitura Javardo, é melhor nem perguntarem do que se trata. Não conheço o livro e nunca li nada dos autores (apenas um conto do Gaiman) por isso estou um pouco desconfiada em relação a este, mas veremos. A Lady Entropy falou maravilhas do livro por isso veremos.

Decidi também reler o Frankenstein da Mary Shelley, mas caso o faça procurarei a edição na altura. Por isso, para já serão estes 5 os livros a ler em Agosto.

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Matadouro 5 ou A cruzada das crianças

Matadouro Cinco ou a Cruzada das Crianças

Autor: Kurt Vonnegut
Data de Publicação: 1990
Editora: Editorial Caminho
Páginas: 195
ISBN: 9722105361

Sinopse

Matadouro 5, obra-prima do norte-americano Kurt Vonnegut, conta a tentativa de um ex-soldado americano que lutou na Segunda Guerra Mundial e que assistiu ao bombardeio da cidade de Dresden de escrever sobre a experiência da guerra. O personagem por ele criado, Billy Pilgrim, é um americano bem de vida e interiorano que viaja no tempo, para outros planetas, e revisita diversos momentos da sua própria vida – sendo o ponto crucial da sua existência o episódio em que foi feito prisioneiro durante a Segunda Guerra, quando vivenciou o bombardeio da cidade alemã, em que morreram 135 mil pessoas – o dobro de mortes causadas pela bomba de Hiroshima.


O resultado desta inusitada história é uma narrativa inigualável, fantasiosa, sarcástica, engraçada, satírica, irónica, triste e cheia de sentido. Publicado primeiramente em 1969, em plena Guerra do Vietnã, Matadouro 5 foi classificado pelo conselho editorial da Modern Library como um dos 20 melhores romances em língua inglesa do século XX. Embora seja conhecido como um dos principais romances norte-americanos anti-guerra, nele Vonnegut oferece muito mais do que um libelo pacifista. Trata-se de crítica social da mais criativa, inclassificável e actual, da expressão de uma visão de mundo ingénua e desencantada ao mesmo tempo.


Para mim, esta obra tem uma das definições de viagens no tempo mais interessante e original que li. Usualmente nas viagens do tempo, o viajante pode-se encontrar "consigo mesmo", pode alterar todo o futuro ao pisar uma mosca, ou pode dar saltos temporais de centenas de anos. No matadouro 5 as viagens temporais são feitas durante o espaço temporal da vida da personagem, Billy salta entre os vários episódios da sua vida, adormecendo por vezes no campo de prisioneiros alemão e acordando numa viagem de avião que efectua 25 anos depois com o sogro. Billy tem a noção destes saltos e sabe em cada momento o que aconteceu/acontecerá, mas não tem por isso intenções de alterar os acontecimentos, vive-os apenas. Assim como Billy não teme a morte, porque como ele diz, morrera e vivera outros momentos inúmeras vezes, infinitamente.
Poderá ser um conceito estranho mas que torna a narrativa simplesmente fantástica, então imaginem, assim que começamos a narrativa, Billy diz-nos que sobrevivera ao ataque aéreo de Dresden, conta-nos quem morrera fuzilado e onde, assim como a meio do livro assistimos à morte de Billy, etc. etc. A ordem dos acontecimentos não tem a sequência temporal comum, mas apenas as dos saltos de Billy. Está muito bem escrito.

Para além disto o sentido de humor com que a história nos é contada chega a ser irreal, tudo nos é apresentado como um facto da vida, algo que não é possível mudar, daí o autor estar constantemente a repetir-se com o "Assim foi"/"É a vida". É por isso curioso e chocante ver como Billy aceita todos as injustiças e azares que lhe acontecem, mas que ao mesmo tempo o salvam de morrer mais cedo. Isto porque ele já sabe como é que as coisas irão acontecer, porque já "lá" esteve ou já as viveu antes.

Adorei. Bem escrito, personagens fantásticas e um sentido de humor negro mas delicioso.

Nota: Os momentos "históricos" são também muito interessantes. Ficamos a saber que no ataque a Dresden morrem cerca de 100.000 pessoas, a maioria civis, ou seja, morreram mais pessoas neste ataque aéreo Americano (mais uma vez) do que em Hiroshima.


sábado, 21 de julho de 2012

Sete Meses e Meio para Encontrar um Namorado

Autor: Carolina Aguirre
Data de Publicação: Agosto de 2011
Editora: Caderno
Páginas: 238
ISBN: 978-989-23-1497-6







"Ontem devia ter matado a minha mãe e a minha irmã, mas em vez de as apunhalar, comi meia tarte de limão e chorei."

Lúcia já entrou na casa dos trinta, tem uns quilitos a mais, vive sozinha e tem azar no amor. Como se não bastasse, a sua irmã mais nova, Irina "a perfeita", acaba de anunciar à família que se vai casar. Nesse dia fatídico, Lúcia ouve uma conversa entre a perversa da mãe e a filha favorita: "Aposto que a tua irmã vai ao casamento sozinha, gorda e vestida de preto. Mas se for com um namorado, e um namorado a sério, pago o copo d’água!"
Furiosa, Lúcia promete a si mesma que vai estragar os planos da mãe, dê por onde der. E começa à procura do seu príncipe encantado. Será o Marcelo? Bom rapaz, mas feio que dói… Ou o Matias? Esse tem pinta, mas fama de mulherengo… Numa alucinante sucessão de encontros, ao longo 227 dias, Lúcia vai procurar o Sr. Certo. E, quem sabe, encontrá-lo mesmo ao virar da esquina…
Sete Meses e Meio Para Encontrar um Namorado é o diário real, terno e divertido, de um mulher que não desiste nunca do amor.



Bem confesso que estava um pouco com medo da minha reacção a este livro por causa de certas opiniões que li.
Mas não me desiludiu é muito divertido e cheio de peripécias realmente a Lúcia ou tem azar  ou  então tem uma propensão para as situações mais hilariantes e humilhantes que se possa imaginar.
Revi-me em certos aspectos da personagem nomeadamente a questão do peso, a mãe da Lúcia tem conversas parecidas com a minha própria mãe.
Vezes houve em que apeteceu dar umas  chapadas valentes na Lúcia, já que se não gosta do homem se ele não a satisfaz nem faz feliz porque continua com ele na mesma?
É um livro leve que se lê muito bem e divertido.