quinta-feira, 31 de março de 2011

O Beijo dos Elfos


Autor: Aprilynne Pike
Data de Publicação: Maio de 2010
Editora: Edições Contraponto
Páginas: 256
ISBN: 978-989-666-051-2



Laurel é uma jovem de quinze anos diferente - frágil, vegan e amante da natureza - que se muda com os pais para outra cidade.

Integra-se na nova escola e fazer amigos são questões complicadas para uma rapariga tímida como ela, mas o atraente David ajuda-a a ambientar-se.

É então que acontece algo inexplicável que aterroriza Laurel: diante do espelho, vê surgir sobre os seus ombros umas formas longas branco-azuladas, de uma beleza quase indescritível, como pétalas a pairar no ar junto à sua cabeça - semelhantes a asas.

Para perceber o sucedido, a jovem regressa à sua cidade natal, onde conhecera Tamini, um magnetizante rapaz de olhar cor de esmeralda. Ele parece conhecê-la desde sempre e vai revelar-lhe uma verdade aterradora.

A partir desse momento, Laurel ver-se-á suspensa entre dois mundos e dividida entre dois rapazes igualmente fascinantes, que a atraem em direcções opostas...


Bem confesso que ganhei este livro já há algum tempo, quando o esmiúça o livro ainda era um blog, e nunca me chamou muito a atenção para lê-lo, apesar de achar a capa gira.
Mas como surgiu a oportunidade de fazer uma troca com uma amiga, decidi lê-lo antes de efectuar a troca, e qual não foi o meu espanto quando dou por mim presa logo no início nas primeiras páginas e a ser difícil de o largar de tão embrenhada estava.
Que posso dizer adorei, apesar de ser um livro dirigido para um público mais jovem gostei de toda a envolvencia de todo o romance que paira no ar e dos mistérios por desvendar.
Tenho que ler o segundo volume, pois ficou muita coisa em aberto.

Clarinda espero que tu e as tuas filhas desfrutem dele e que encontrem tanto ou ainda mais prazer do que eu ao lê-lo.

ASA / Público: Os Incontornáveis da BD - Volume 3

XIII Mistery

Autores: O Mangusto - Xavier Dorison (argumento) & Ralph Meyer (desenho)
Irina - Corbeyran (argumento) e Berthet (desenho)
Data de Publicação: Março 2011
Editora: ASA/Público
Páginas: 108
ISBN:


O Mangusto

A bordo do navio Lady Bee, batido por ondas fortes e submetido a um grande temporal, é aguardada a chegada de XIII, que deve recuperar o dinheiro da sua viagem. Mas o homem que chega não é aquele de quem se estava à espera. Depois de ter eliminado, um a um, todos os elementos da tripulação, relata a sua história pessoal a Kim Rowland, que foi feita prisioneira a bordo, assim como a sucessão de acontecimentos que o transformaram no Mangusto.

Irina

Depois da descoberta dos mistérios e zonas de sombra do passado do Mangusto, um dos grandes adversários de XIII, ficamos a saber um pouco mais da história de vida da enigmática Irina, desde a sua infância num orfanato até às acções clandestinas nos Estados Unidos, passando pela sua formação no seio da polícia política soviética. Tudo começa quando Júlia e a sua amiga Irina são acordadas a meio da noite para se dirigirem a um controlo sanitário de surpresa no orfanato onde vivem...

XII é uma série de 19 volumes escrito por Jean Van Hamme e com desenho de William Vance, bastante conhecida em França, com apenas 10 volumes editados em Portugal, 9 pela Meribérica e 1 pela ASA. 

Conta a história de um assassino profissional com amnésia que tenta descobrir o seu passado e a sua identidade enquanto se vê envolvido no assassinato do presidente dos Estados Unidos. XIII Mistery conta-nos as histórias de personagens secundárias da série principal: Mangusto e Irina.

Sem dúvida o mais interessante até agora, XIII Mistery, mostra-nos dois assassinos puros e duros, onde ficamos a conhecer o passado de cada personagem e o que os levou a se tornarem assassinos. Em Mangusto temos um desenho muito bom e uma história bastante menos interessante, enquanto que em Irina, temos um traço muito mais comum e onde a história nos cativa mais. Não serão histórias que nos surpreendem pela originalidade. Temos passados difíceis, juras de vingança e necessidade de muito dinheiro, o que são afinal os temas mais comuns nestas histórias. Foi no entanto a única história que me deu vontade de comprar os outros volumes - o que já fiz - e onde fiquei com vontade de conhecer mais sobre as personagens e sobre o misterioso XIII.

Imagens de As Leituras do Pedro

Ver mais em As Leituras do Pedro

quarta-feira, 30 de março de 2011

Vozes Silenciosas

Vozes Silenciosas


Autor: Torey Hayden
Data de Publicação: 15 Março 2011
Editora: Editorial Presença
Páginas: 364
ISBN: 978-972-23-4515-6


Quando Conor, de nove anos, chega ao consultório do pedopsiquiatra James Innes, traz já com ele o diagnóstico de autismo. A mãe de Conor, Laura, é uma romancista enigmática que não consegue lidar com o filho. O pai, Alan, quer impedi-lo de ser enviado para uma instituição. Quanto mais James Innes analisa a dinâmica desta família à beira da ruptura, não só se convence de que Conor não é autista, como se sente fascinado por Laura – uma mulher solitária cuja imaginação esconde um terrível segredo. Torey Hayden traz-nos um romance inesquecível que é também uma reflexão profunda sobre o que acontece quando a realidade e a imaginação se confundem.


O livro conta-nos a história de Conor, um menino de 9 anos autista assustado, da mãe Laura escritora de sucesso e incapaz de lidar com os problemas do filho, de Alan que não desiste do seu filho e da filha mais nova do casal, que lentamente começa a criar o seu próprio mundo de segurança, baseado em mentiras. James o pedopsiquiatra começa a tratar Conor e é nesta viagem pelas sessões, que descobrimos um mundo difícil e triste das crianças que simplesmente não conseguem comunicar com os outros. Crianças incompreendido, perdidas simplesmente.

É nas sessões familiares que conhecemos os problemas de cada personagem, as inseguranças e o passado. James um psiquiatra experiente que se muda de Nova Iorque para uma pequena cidade do interior, rapidamente conclui que Conor foi erradamente diagnosticado como autista e através das sessões com os pais, tenta perceber o que mudou Conor. Durante as sessões entramos também no mundo imaginário que Laura criou, simplesmente delicioso.

Um livro marcante e triste, fez-me pensar nos preconceitos que criamos diariamente contra aquilo que não compreendemos ou não queremos sequer conhecer. Um livro que ainda agora me consegue sensibilizar ao relembrar as personagens.

segunda-feira, 28 de março de 2011

ASA / Público: Os Incontornáveis da BD - Volume 2


O Gato do Rabino


Autor: Joann Sfar
Data de Publicação: 2011
Editora: ASA/Público
Páginas: 144
ISBN: 978-989-23-1300-9








O segundo volume editado pela ASA em colaboração com o Público, é da autoria de Joann Sfar, um artista responsável pela adaptação de O Principezinho de Antoine de Saint-Exupéry (mais informação em LerBD) e/ou da serie Donjon (também já editada por cá) entre muitas outras. Autor premiado e conhecido como um dos mais importantes no panorama Franco-Belga irá adaptar esta mesma obra - O gato do Rabino, ao cinema de animação.

O volume é constituído por 3 tomos: "O Bar-Mitzvá", "O Malka dos Leões" e "O Êxodo". Sobre a obra posso dizer que adorei a personagem principal: o gato do Rabino. Um gato que após comer o papagaio da casa, passa a falar e assim começa a opinar sobre tudo. Com todo o seu sarcasmo e com um sentido de humor refinado, consegue divertir-nos durante todo o livro. Esta obra é uma forte crítica contra o falso moralismo e o fanatismo religioso. Ataca directamente o judaísmo, possivelmente por ser o que o autor conhece melhor por ser Judeu, contudo adaptaria-se a qualquer religião nos seus pontos essenciais.



A Biblioteca


Autor: Zoran Zivkovic
Data de Publicação: 2010
Editora: Cavalo de Ferro
Páginas: 104
ISBN: 9789896231378

O que se passa com A Biblioteca de Zoran Živković é que ficamos perante um problema de gestão de expectativas, plantado pela Cavalo de Ferro quando esta opta por transcrever uma parte de uma crítica do The New York Times Book Review que remete a obra para um patamar superior. A Biblioteca é uma interessante colectânea de contos (estranhamente ganhou o World Fantasy Award em 2003, na categoria de novela), mas está longe de ser uma obra-prima ao nível da obra de J. L. Borges.

Os seis contos que a constituem tem a mesma estrutura circular que os de Borges e em muito vão beber na relação que o mestre argentino tinha com os livros e as bibliotecas, mas morrem aí as similitudes. São seis bibliotecas: virtual, particular, nocturna, infernal, minimal e requintada que nos vão sendo descritas, contadas e vividas e na verdade acabam por nos ficar próximas, mas não tão próximas como deviam, pois algum tempo volvido o que resta delas é um esbatida memória do que nos foi contado. Para que a surpresa e quem sabe algum deslumbre se não perca, não me irei estender sobre os universos que povoam cada conto, mas não deixarei de apresentar uma alternativa ao desfecho do último de modo a o tornar mais coerente. Assim, de forma a fugir ao trivial, este assomo bibliofágico, A Biblioteca Requintada, teria de ter um desfecho em que o livro desaparecia depois de iniciada a sua leitura, demonstrando-se assim a sua inferioridade ou encadernando-o de modo a lhe atribuir “nobreza” necessária, desaparecendo este depois de ter sido transformado. 

Este acto de bibliofagia lembra-me demasiado a querida ratazana Firmin ou as degustações de Ratatui que apesar de me terem agradado imenso me surgem aqui disparatadas.