sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Blásfemia


Autor: Douglas Preston
Data de Publicação: Março de 2010
Editora: Saída de Emergência
Páginas: 400
ISBN: 978-989-637-201-9


O maior supercolisionador do mundo, encerrado numa montanha no Arizona, foi construído para revelar os segredos do momento da criação: o próprio Big Bang. O Torus é a máquina mais cara jamais criada pela Humanidade, gerida pelo computador mais poderoso do mundo, uma invenção do cientista Nobel, North Hazelius.
Será o Torus capaz de divulgar os mistérios da criação do universo? Ou irá, de acordo com algumas previsões, sugar a Terra para um buraco negro? Poderá também ser uma tentativa satânica, como alguns televangelistas clamam, de desafiar o Deus Todo-Poderoso no próprio trono divino?
Sob a liderança de Hazelius, doze cientistas são enviados à montanha remota para activar a máquina, e aquilo que descobrirem deverá ser mantido secreto a todo o custo. Wyman Ford, ex-monge e agente da CIA, tem a missão de descobrir o segredo, um segredo que irá destruir o mundo… ou salvá-lo. A contagem decrescente começou…



De início confesso que foi difícil conseguir entrar na história, talvez devido aos numerosos termos técnicos que não conheço.
Mas depois foi muito bom, toda aquela adrenalina, toda aquela confusão, mas depois no fim achei que faltava qualquer coisa, achei o fim muito "seco", parece que foi feito em cima do joelho, como se costuma dizer, estava à espera de mais.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Assuntos Domésticos


Autor: Eileen Goudge
Data de Publicação: Novembro de 2009
Editora: Contraponto
Páginas: 415
ISBN: 978-989-666-013-0


Abigail e Lila são duas amigas de infância que se separam quando a mãe de Abigail, governanta da família abastada de Lila, é expulsa da casa, afastando a filha do único lar que alguma vez conheceu. Agora, passados vinte e cinco anos, Abigail é uma figura conceituada no mundo televisivo, tendo vencido por mérito próprio. Em contrapartida, Lila - que durante décadas levou uma vida esplendorosa nos meandros da alta sociedade de Park Avenue - sofre um trágico revés, perdendo toda a sua fortuna. Sem um tostão e completamente inapta para trabalhar, Lila vai ao encontro de Abigail para lhe implorar um emprego, e esta arranja-lho: como sua governanta. A vingança, porém, não é tão doce como Abigail imaginara... Nesta arrebatadora história emocional, o destino junta mulheres muito diferentes que são obrigadas a unirse para se salvarem umas às outras… e a si próprias.



Não sei porquê mas este livro ficou à quem das minhas expectativas, estava à espera de algo do género de Elizabeth Alder, mas não achei-o um pouco maçudo, e or vezes as personagens pareciam não sair da mesma situação, andando sempre às voltas.
Pode ser que outro livro da autora me faça mudar de opinião acerca da sua escrita.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Os rios sem nome

Os rios sem nome
Autor: Manuel Seabra
Data de Publicação:
Editora:
Páginas:
ISBN:



"Os rios sem nome, livro publicado no inicio dos anos 80, tem Hilário como personagem principal, um jovem que acompanha as diferentes e bruscas mudanças dos regimes em Portugal: fim da monarquia, implantação e supressão da república, implantação do regime ditatorial... participando activamente nas lutas sociais. Acaba por ser preso e deportado para uma das colónias portuguesas. Enquanto preso, vai contar de forma impressionante, a vida cruel e horrível que ele e os restantes presos políticos levavam."

Pouco mais se encontra na net sobre esta obra. Sobre o autor encontramos uma entrada na wikipedia (AQUI) e nem a capa consegui encontrar. Tenho que confessar que fiquei admirada e depois até comecei a duvidar se não teria sido eu que tinha reagido exageradamente ao livro. Conclui que não, que é mesmo falta de publicitação. Acontece o mesmo com tantos outros autores e obras que esta é apenas mais uma esquecida no tempo.

Com algum conteúdo politico que poderão desmotivar alguns leitores relativamente ao livro, está contudo muito bem escrito e não aborrece em nenhum momento o leitor com explicações excessivas. Mostra-nos a realidade de sindicalistas convictos, na clandestinidade, que põe as suas crenças à frente da família e da própria vida para salvar, do modo que eles acreditam, o país, as classes operarias e os desfavorecidos.
Pode parecer demasiado utópico ou com personagens não verosímeis, mas bem pelo contrário. Hilário, a personagem que acompanhamos durante o livro, não põe em causa as suas crenças, mas lamenta várias das suas opções não consegue esquecer a tristeza que sente em nunca ter tido uma vida decente de casado, de nunca ter conhecido o filho, ou de nunca se ter sentado à mesa da sua casa - pois nem isso ele sente que tem - para comer um jantar cozinhado pela mulher.
Sofre todos os dias terríveis castigos, assim como trabalhos demasiado pesados. Vive o dia a dia numa miséria constante, onde o objectivo do director do Tarrafal - Campo de Morte Lenta, é vergar os prisioneiros ao regime. A união dos companheiros, comunistas, anarquistas ou outros, é a única coisa que os consegue manter vivos.




Deixo aqui um pequeno texto de um dos prisioneiros que deu um testemunho real sobre os 16 anos que passou no Tarrafal (em tudo muito semelhante ao descrito no livro).

abril 23, 2004 no A Verdade da Mentira
Tarrafal – Campo de Morte Lenta

Palavras de João Faria Borda (já falecido), um homem que passou dezasseis anos e três meses no Campo de Concentração que foi uma das mais sinistras criações do regime a que a Revolução de 25 de Abril pôs termo.

«O campo de concentração era um rectângulo (cerca de 250m por 180) situado num dos sítios mais insalubres do arquipélago de Cabo Verde. Como alojamento existiam umas barracas de lona onde eram metidos cerca de 12 presos em cada uma.
As casas de banho não existiam. Havia apenas uns sanitários – toscos muros de tijolo com uns buracos no chão e umas latas de gasolina para as necessidades.
Como cozinha existia um telheiro com uns muros por onde a poeira entrava aos montes. Dois indígenas faziam a comida. A alimentação era péssima – havia ocasiões em que era necessário pôr bolas de algodão no nariz pois o cheiro da comida impedia que ela entrasse no estômago.
Não havia água potável. Só existia água num poço a cerca de oitocentos metros do campo, água salobra que os presos transportavam em latas de gasolina. Mesmo assim era má e em pequena quantidade, não chegando para a higiene. Tomava-se banho com um único litro de água despejada de uma lata onde eram feitos uns buracos para o efeito.»

«O primeiro director do Tarrafal foi Manuel Martins dos Reis, capitão gatuno e paranóico, vindo da Fortaleza de Angra do Heroísmo. Este director “entretinha-se” a roubar as coisas que os familiares dos presos, com sacrifício, mandavam, desculpando-se que tudo aquilo era enviado pelo Socorro da Marinha Internacional. Chegou mesmo a montar uma pseudo cantina onde vendia as coisas roubadas.
Mal desembarcámos começámos imediatamente a trabalhar. Transportávamos pedras, sob vigilância constante dos guardas.
Em Cabo Verde, região de clima variável, calhou chover bastante nesses anos. A lona das barracas apodreceu de tal maneira que lá dentro chovia como na rua e de manhã acordávamos com a cara negra da poeira que se pegava à humidade que sobre nós caía.
As águas acumuladas formavam pântanos onde se desenvolviam mosquitos transmissores do paludismo. A saúde de todos nós, presos, arruinava-se.
Caíamos atacados da doença chamada biliose. Sem fornecimento de medicamentos e com um médico que era um patife da pior espécie, em poucos dias morreram sete camaradas. Em cerca de uma média de 200 presos era vulgar, em certas alturas, apenas dez andarem a pé.»

«Os escândalos da actuação do primeiro director levaram à demissão deste. Foi substituído por João da Silva, acompanhado pelo fascista Seixas.
Estávamos em 1938/39. A guerra civil espanhola terminava com a vitória do fascismo. O ditador português Salazar tinha contribuído, apoiando com o envio de géneros alimentícios e de homens, os quais ficaram conhecidos pelos Viriatos. Hitler tinha subido ao poder em 1933. Na Itália existia Mussolini. A situação no campo do Tarrafal, reflexo da situação política internacional caracterizada pela ascensão do fascismo, agrava-se terrivelmente.
João da Silva dizia frequentemente: “Quem está aqui é para morrer!”
Com este director começou a funcionar sistematicamente a célebre tortura conhecida por “frigideira”. Todos os dias eram para lá atirados presos e eu também por lá passei algumas vezes.»

domingo, 10 de outubro de 2010

O Livro de Feitiços de Deliverance Dane



Autor: Katherine Howe
Data de Publicação: Agosto de 2010
Editora: Editorial Planeta
Páginas: 408
ISBN: 978-989-657-078-1

Um romance cativante, maravilhosamente escrito, que se passa entre o nosso tempo e um dos mais fascinantes e conturbados períodos da história da América - os julgamentos das bruxas de Salem. Connie Goodwin, uma brilhante aluna de História na Universidade de Harvard vê-se obrigada a passar o Verão a pesquisar para a sua tese de doutoramento. Mas quando a mãe lhe pede para tratar da venda da casa abandonada da avó, perto de Salem, não tem como recusar. À medida que é arrastada de forma cada vez mais profunda para os mistérios da casa da família, Connie descobre uma chave antiga dentro de uma Bíblia do século xvii. A chave contém um fragmento de pergaminho amarelecido com um nome escrito: Deliverance Dane. Esta descoberta lança Connie numa demanda: descobrir quem foi essa mulher e conseguir desenterrar um raro artefacto de poder singular: um Livro de Feitiços, cujas páginas encerram um repositório secreto de sabedoria perdida. Quando as peças da pungente história de Deliverance começam a encaixar-se, Connie é assombrada por visões dos distantes julgamentos de bruxas e começa a temer que esteja mais ligada ao passado obscuro de Salem do que alguma vez pudera imaginar. Escrito com espantosa convicção, O Livro de Feitiços de Deliverance Dane viaja continuamente entre os julgamentos de bruxas nos anos de 1690 e a história de mistério, intriga e revelação de uma mulher moderna.



Realmente como a sinopse o indica é um livro cativante e prende desde as primeiras linhas até ao final, deixando o leitor em suspenso para descortinar o que se vai passar.
Nunca me interessei pelo tema das bruxas de Salem, mas fiquei curiosa com este livro, embora no final a autora nos deixe algumas explicações, tenho para mim que ainda vou pesquisar na net acerca deste assunto, que pelos vistos daria pano para mangas.
Alturas houve me que me embrenhei de tal modo no livro que me senti na pele da Connie, como se estivesse a vivênciar todas aquelas experiências.
Será que a auotra tem mais alguns livros na manga?
Leiam, pois não se vão arrepender.
Um muito obrigada à minha amiga Carla que tornou possível a minha leitura.